sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Mais uma vez ninho.

Não me considero uma pessoa supersticiosa.

Deixo bolsa no chão (dizem que afasta dinheiro), deixo sapato virado (dizem que atrai azar), passo sem nenhum problema por baixo de escada, adoro gatos pretos ... e sexta-feira 13, pra mim, é um dia bem legal. Isso sim: bato três vezes na madeira quando alguém me diz pra ter outro filho.

O fato é que crendices não me afetam tanto, apenas o suficiente para não me tornar escrava de ritos e manias. Acredito muito nas coisas que são para o bem. Se pular sete ondas no Ano Novo atrai sorte, vou lá e pulo. Mas cansei de passar Ano Novo na Europa de preto e não tive azar durante o ano. (mas "deuzolivre!" de passar Ano Novo com roupa preta aqui no Brasil ... sai pra lá!)

Porém, existem situações que eu gosto (e muito) de vê-las como sinais. Uno situações que já aconteceram com possibilidades que talvez-quem-sabe-pode-ser que aconteçam (talvez seja para meu autoconvencimento mesmo, reconheço).

Pois bem ... hoje escrevo sobre isso. Porque deu vontade e porque tive um desses déjà vus particulares, só meus. Quem me acompanha a bastante tempo talvez até lembre ... já já você vai entender. Senta aí. 

Na nossa última casa da Espanha (que foi a segunda casa - mudamos para um apartamento maior logo que fiquei grávida do Pequeno), de repente, apareceu um ninho em nossa janela. Morávamos no quinto andar, de um prédio todinho de tijolo à vista. Ao redor, naquela zona, haviam muitos parques, muitas zonas verdes e muitas árvores lindas. Porém, o passarinho resolveu fazer ninho ali na nossa janela. Nós o deixamos e o respeitamos. Vez que outra a gente dava uma bisbilhotada, escutava pequenos passarinhos barulhentos e víamos a mamãe (ou papai) sair vez que outra para buscar comida.

Quando fomos embora daquela casa, fiquei com muita raiva do moço da imobiliária que disse que "mandaria tirar aquele ninho" da janela. Nosso ninho. Havia virado até ponto de referência: nossa casa é aquela da janela que tem um ninho. Provavelmente foi pelos ares. Pessoas insensíveis.

Então, na Itália, na nossa segunda casa, tínhamos uma terraça (sacada). Minha paixão pela sacada foi amor à primeira vista. O apartamento em si não era lá grandes coisas (era bonzinho, mas pequeno), mas quando vi a sacada que tinha e, sobretudo, a vista que ela me proporcionava, quase me agarrei nas paredes implorando para que aquela fosse a minha casa. E foi. A nossa casa, por dois anos.

Pouco a pouco fomos arrumando a sacadinha, de maneira que se tornasse agradável. Compramos uma mesa legal onde fizemos algumas poucas refeições. Compramos flores que embelezavam a sacada na temporada de primavera/verão e que secavam e desapareciam na temporada de outono/inverno. Ali, inclusive, cultivei temperos e, pela primeira e última vez, fiz minha própria salsa al pesto (acabei com meu pé de manjericão, mas fiz - e ficou uma delícia!).

Um dos poucos objetos de decoração que comprei foi uma casinha pequena, de madeira e adornada com palha para enfeitar a parede.

Passado algum tempo, descobri que aquela casinha havia sido escolhida por algum passarinho para ser o abrigo do seu ninho. Levei um susto quando um dia, parada ao lado da casinha, vejo um passarinho bem na porta dela, piando desafiador. Juro que até fiquei com medo do passarinho!

Com o tempo, descobri que ali havia um ninho com uns 3 passarinhos pequeníssimos. Entendi a brabeza do passarinho e evitava ao máximo chegar perto da casa. Só bisbilhotava quando ele (ou ela) saía para buscar alimento (e quase sempre nem precisava ir muito longe. O tirava de minhas floreiras mesmo). Fiquei emocionada. Na minha sacada e na minha casa havia vida, amor e dedicação. (eu sou sensível, do tipo que até chora por conta disso ... fazer o quê?!).





Quando fizemos nossa mudança, não trouxe a casinha. Ela ficou lá na sacada. Ali era o lugar dela. A deixei com a esperança de que os novos inquilinos a preservassem e respeitassem. Quem sabe para uma próxima ninhada o passarinho resolvesse fazer ninho ali de novo e levasse encantamento para o casalzinho de idosos que estava indo morar ali?

Então viemos para o Rio de Janeiro. Passaram-se os anos e estamos na nossa segunda casa.

Em frente a minha casa existe uma árvore grande. Um pé de manga que não tá dando mais tanto fruto. Cortaram a árvore de uma maneira estranha (podaram somente a parte dos galhos internos ao edifício) e acho que foi por isso que ela ficou "triste" e resolveu não dar mais frutos. Mas ela segue grande, verde e, vez que outra, nela recebo visitas. Já apareceram tucanos e passarinhos de variedades mil. Muitos cantam tão lindo que até me emocionam (sou sensível, falei!). Um em especial encanta meu coração. Já até gravei um áudio dele no meu celular, só para ouvi-lo quando der vontade.



Tudo bem que da árvore também vem sujeira em dia de vento e, dependendo da temporada, aparecem bichinhos que, segundo o Google são "carrapatos de árvore" (se criam em pequenos ovinhos, logo nascem todos juntos - são uns 6/8 bichinhos ao mesmo tempo - e não vivem muito tempo). Reconheço que não sou tão bondosa assim com eles: os mato, logo, de imediato. E quando os pego ainda em ovinhos, boto fogo na bicharada e eles estalam feito bombinha de São João. (desculpa, Papai do Céu!).

Então, dia desses, enquanto organizava o quarto do Pequeno algo me chamou a atenção naquela árvore (a árvore dá para a sala e para o quarto dele). Me aproximei da janela e vi um ninho. Provavelmente vários ninhos devem de ter surgido ali durante todo o tempo que moramos neste apartamento (uns 4 anos), mas aquele me chamou a atenção especialmente. Era grande, lindo, bem organizado e muito próximo da janela do quarto.

Naquele mesmo instante veio um flash back dos outros ninhos (e das outras casas) e todo o significado especial que esta história tem pra mim.

Sempre na segunda casa. Sempre um ninho.

Alguns dias depois ele sumiu. Não sei se foi o vento que o derrubou, se os passarinhos debandaram. Mas eu o vi. Ele estava ali.

Eu não sou nada supersticiosa. Mas eu amo, prezo e respeito esses sinais que a vida me dá.


Poeminho do Contra
Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho, 
Eles passarão… 
Eu passarinho! 
Mario Quintana )

P.S.: quem ainda não leu a história dos outros ninhos, basta clicar aqui e aqui

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Das coisas que "eu tenho que aguentar": Pequenices.

Pequeno ficou dias fazendo contagem regressiva: "faltam "X" dias para o meu aniversário". Ele sempre amou fazer aniversário, sempre ficou ansioso, cheio de planos, desejos e pedidos de presente. Mas, neste ano, ele se superou. Não pelo pedido de presente (que foi bem simplesinho), nem pelos planos e sim pela ansiedade mesmo.

- "Pra quê tanta ansiedade, menino?"

- "Mãe! Eu vou abandonar a minha infância e vou entrar na adolescência."

Quem foi que falou isso pra ele?

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No dia seguinte ao aniversário, acordou triste:

- "Mãe! Que coisa!"

- "Que foi, filho?"

- "Tô decepcionado."

- " Por quê?"

- "Mãe! Segue tudo exatamente igual há quando eu tinha 10 anos ..."

Mal sabe ele que vai chegar um dia em que vai dormir com 20 anos e, quando perceber, vai estar com 40 ... e não vai seguir tudo igual. Não vai mesmo.

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Ele sabe que 'entrar na adolescência' também significa entrar na puberdade (aprendeu na matéria de Ciências e o que não havia aprendido em sala de aula a sua pediatra se encarregou de explicar).

Assim que, de vez em quando, tenho que aguentar coisas do tipo:

- "Manhê! Olha aí se tem pelinho no meu sovaco!"

- "Sai fora, guri! Não vou ficar olhando o sovaco de ninguém."

- "Mãe, olha aí ... já deve de ter porque já tô chegando na puberdade ..."

Mereço.

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Contei pra ele, de brincadeira, que só abandonaria o pai dele por um único homem nesse mundo: George Clooney. Paixão antiga, assim como a que tinha pelo Rick Martin. Mas, o Rick saiu da lista e só ficou o George.

Pequeno, desconfiado e ciumento, fez cara de "nem tô dando bola", mas ficou se remoendo e insistindo: "tá brincando, tá brincando, tá brincando".

- "Tá bom! Então reza pra eu nunca cruzar com ele, senão ..."

Passaram-se alguns dias, de repente, ele me pergunta:

- "Manhê! Aquela história de que tu abandonaria meu pai pra ficar com aquele ator velho do café, era brincadeira, né?! Eu sei que tu jamais faria isso ..."

- "Ah, garoto ... nunca diga nunca."

- "Ow, manhêeeee ... faça-me o favor! Tu iria gostar se meu pai te abandonasse pela 'não sei o que Clooney'? Era brincadeira, né mãe?!"

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Ele aparece do nada e me diz:

- "A senhora está sempre bonita!"

Vendo que fiquei sem palavras, segue:

- "Eu tô falando 'senhora' no sentido de 'mulher casada', não 'senhora' no sentido de 'mulher idosa', tá?

Ufa!

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Vendo uma reportagem sobre os 70 anos da Coréia do Norte, Pequeno exclama perplexo:

- "Como assim, Coréia do Norte fazendo 70 anos? Eu já sabia que meu avô era mais velho que muita gente, mas agora descubro que ele é mais velho que um país? Uau!"

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Quando junta os genes gaúchos tricolores com os italianos, dá nisso:




terça-feira, 4 de setembro de 2018

Feliz Aniversário, nosso menino!

Então chegou o dia mais esperado. Você sempre gostou de fazer aniversário, sempre fez contagem regressiva, planos, pedidos e desejos - inclusive de presentes e de onde celebrar. Mas neste ano sua ansiedade parecia não ter fim. Tinha uma certa pitada de nostalgia misturada com um punhado de expectativa.

Nem foi tanta ansiedade por conta do presente. Neste ano você foi bem "bonzinho" com nosso bolso. Generoso, seria o adjetivo correto. Também nem teve muitos planos de comemoração: quem sabe, se desse, comer um hamburguersinho no seu restaurante preferido. O que importava realmente era que seu dia chegasse. E ele chegou. Finalmente chegou  a tão esperada pré-adolescência.

Há dias tenho lhe ouvido dizer coisas do tipo: "que saudade sentirei de minha infância!" ou   "a etapa mais feliz de minha vida".

Também fui quase obrigada a escutar coisas do tipo:

- "Olha aqui no meu sovaco, vê se tá crescendo cabelinho.  Sou pré-adolescente, ué?!"

Quem te conhece sabe que esse tipo de coisa é típico seu.

Você é uma figura, meu filho! E que bom que você, apesar da fase típica de vergonhas dessa idade, ainda mantém esse seu jeito leve, simples, sarcástico e alegre de viver o dia-a-dia.

Feliz Aniversário, meu filho!

Hoje meu coração se enche de orgulho, de alegria, de felicidade, de agradecimento e de desejos. Muitos desejos. Os melhores desejos.

Que você siga sendo esse menino que esbanja alegria, felicidade, bom humor. Que mantenha sempre esse seu sarcasmo peculiar, sua malemolência para lidar com minhas fúrias. Só você sabe como tirar um sorriso de meu rosto, mesmo quando ele está meio carrancudo.

Que seu coração siga sendo bondoso, amoroso. Que o perdão siga fazendo parte de sua vida. Que você siga refletindo sobre sua existência, sua história e seu futuro como só você sabe fazer. Quanto aprendemos sobre a Vida com você!

Que seus olhinhos sigam transmitindo olhares cheios de amor e afeto e que eu consiga lhe dar todos os motivos para que sua boca siga pronunciando as palavras mais importantes para mim: "você é a melhor mãe do mundo".

Que você siga perdoando e esquecendo nossas grandes broncas e que elas sejam infinitamente menores do que nossos momentos de felicidade e farra plenas. Que a gente siga tendo idéias malucas de fantasias, que a gente siga dançando pela casa em nossas festas particulares, que nossas refeições sigam sendo acompanhadas de boas conversas, boas histórias e muitas gargalhadas.

Que Papai do Céu te abençoe com muita saúde para que possas realizar todos os teus planos, sonhos e desejos. Seja ser jogador de futebol, militar, geólogo, artista ou seja lá o que você quiser ser. Para mim e para seu pai o que de verdade vai importar é que você seja feliz, independentemente de qual caminho você desejar escolher.

Que sua vida seja repleta de pessoas do bem, muitos amigos e que jamais se esqueça de que suas famílias, a do Brasil e da Itália, serão sempre seu porto seguro e o principal ponto de referência para quando, se preciso, você tenha ciência de onde veio e de quem você realmente é.

Que o amor, a vontade, o bom propósito sejam sempre seus guias e que nos momentos de dificuldade (acredite, existirá coisa bem pior do que tirar nota baixa na escola ...) você seja persistente e lute, lute muito, buscando o seu objetivo. Lembre-se que resultados ruins ou, ao menos, não previstos, fazem parte da vida da gente. Mas precisamos persistir.

E como diz uma parte de uma música que ultimamente andamos escutando muito - e que você faz sempre questão de frisar essa parte - tenha certeza de que:


"If you do it right, you'll love where you are

Just know, wherever you go
You can always come home"

                                (93 Million Milles, Jason Mraz)



Sinceramente espero que esse "cabelinho do sovaco" demore um pouco para crescer. Você já terá tempo para se preocupar com ele. Por enquanto, aproveite cada segundo da sua linda idade. Não sinta vergonha de correr na rua, brincar de coisas "de criança" e nem tente parecer um menino jovem. Cada coisa tem seu tempo e cada fase tem sua beleza. Se tem algo que você não precisa ter agora é pressa.

Parabéns, meu menino!

Que você tenha a certeza de que sempre, sempre mesmo, eu e seu pai te amaremos gigante, um amor imenso, enorme, do tamanho do Universo.

Feliz 11 anos!




quinta-feira, 23 de agosto de 2018

8.2 do vovô!

Nosso "garoto", meu pai, vô do Pequeno, completa hoje 82 primaveras.

Além de parabéns, o único que posso dizer é: obrigada, Papai do Céu, pela presença dele em nossas vidas!

Bom ... acho que qualquer coisa que eu disser ou  escrever não será nada perto do que o Pequeno foi capaz de transmitir para o vô. Assim que, aperta o play no vídeo abaixo:



Parabéns, vovô do Pequeno! Parabéns, meu pai!

Te Amamos!

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Vai ser curioso assim lá em ...

Dizem que os italianos são curiosos. Perguntam, perguntam mesmo, sobre tudo.

Lembro que logo quando fui morar em Roma, me incomodava um pouco os questionamentos. Perguntas vindas das mais diferentes pessoas, as vezes estranhos mesmo. Lembro das conversas com a pediatra do Pequeno, que sempre fugia de algum tema médico para perguntar coisas que, ao meu ver - eu sou uma pessoa reservada - não eram necessárias. Lembro das perguntas das senhorinhas na rua, da vizinha que mal dava bom dia mas logo demonstrava interesse em algo sobre minha vida ... enfim ... com o tempo fui me acostumando e passei a achar até engraçadas as dúvidas, que já respondia sorrindo.

Não aprendi muito com eles. Sigo sendo uma pessoa reservada e somente com um grau elevado de intimidade sou capaz de fazer perguntas mais íntimas e pessoais para conhecidos.

Pois bem ... Esse período de 3 semanas de férias na terra da pizza  me fez voltar ao passado e relembrar - pois já tinha até esquecido - o grau de "cara durice", sem vergonhice (no bom sentido da palavra) e curiosidade, sobretudo dos romanos.

Estávamos no aeroporto, vindo embora. Precisávamos passar pelo controle policial. Momento um pouquinho tenso: Pequeno, desde que nasceu, tem as duas cidadanias (brasileira e italiana). O passaporte italiano dele é antigo, ainda tem fotinho de bebê e, não sei porque, não consta no documento a filiação. Isso sempre gera um problema, pois algumas vezes não aceitam o passaporte brasileiro (neste sim consta a filiação), ou carteira de identidade brasileira. Sempre que chegamos levamos um pequeno sermãozinho do atendente de turno, pois o marido já deveria há muito tempo ter inserido Pequeno em seu passaporte (ou seja, no passaporte do marido deveria constar o nome do filho - isso acontece para os filhos menores). Marido sempre deixa para depois e acaba que o depois nunca chega e sempre lembramos disso quando vamos viajar e daí já não dá mais tempo. Para voltar sempre pegamos o certificado de nascimento na cidade onde a sogra mora e Pequeno foi registrado, para evitar problemas maiores.

Para aumentar um pouquinho o momento de tensão, o passaporte do Pequeno está quase vencendo (ainda está na validade, mas faltam menos de 6 meses para vencer). Também não seria um grande problema, já que estávamos voltando pra casa, mas seria outro momento de chatice, explicações e sermões. Tudo dependeria do tipo de atendente que pegaríamos.

Depois da pequena fila, chegou nosso momento. Já cheguei ao guichê com o passaporte brasileiro em mãos, aberto bem na página da filiação e, também, com o certificado de nascimento (que estava vencido - esqueci de contar - sim, somos pessoas enroladas). O atendente pegou o passaporte brasileiro para certificar nome de pai e mãe. Logo, ficou alguns bons segundos olhando para os passaportes, olhava pra gente, virava página do passaporte, olhava pra gente. Fui ficando nervosa. Até que ele diz, em tom sério:

- "Vem cá! Vocês moram no Brasil. A mãe brasileira.  O pai italiano ... o menino nasceu na Espanha. Vocês podem parar um pouco em algum lugar ... ficam girando o mundo ..."

Juro que eu até demorei para assimilar o que ele estava dizendo. Logo, caímos os 4 na gargalhada. O atendente nos desejou boa viagem e seguimos nosso caminho.

- "Que simpático! E curioso ele, né?!" 

Chegamos, finalmente, ao lugar que mais amo dos aeroportos: Duty Free. :)

Apesar de saber que minha felicidade duraria quase nada (com o Euro pisoteando em cima do Real, não ia dar pra comprar muita coisa), fui bisbilhotando as prateleiras, tentando achar meu objeto de desejo de compra. Não. Não era um óculos, ou perfume, ou maquiagem ... era bebida mesmo. Não saio de um Duty Free sem comprar um vinhozinho, licorzinho ou Baileys. Dessa vez queria só o Baileys mesmo. Vinho já estava trazendo na mala.

Achei o preço um pouquinho salgado (mas sempre mais em conta do que se fosse comprar aqui no supermercado). Resolvi bisbilhotar em outro Duty Free que eu achava que seria mais em conta. Não achei o Duty Free - me equivoquei de terminal. Pra não ficar dando voltas pelo aeroporto com mochilas e Pequeno resmungando, fiquei sentadinha e marido (que é um anjo!), voltou ao Duty Free para comprar meu Baileys.

Ao chegar no caixa, a moça do Duty Free olhou bem séria pra ele e disse:

- "Ah! Vai comprar um produto italiano! Cheio de produto italiano aqui e você compra isso que é irlandês?"

Marido sorriu e disse que a mala já estava cheia de produtos italianos. O Baileys era pra mulher que é viciada nele.

- "Simpática! E curiosa ela, né?!"

Até o italiano estranhou tamanha cara-de-pau.

Mas quer saber ... eu, depois de muito tempo, tenho que reconhecer: eu também acho o máximo! Quando eu crescer, quero ser assim de curiosa.