segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Férias ... pra quê te quero!

Há tempos vínhamos esperando por nossas férias de fevereiro. Ela havia sido programada com bastante antecedência. Seriam as primeiras férias de verão do Pequeno com toda a família (me refiro à férias de verão mesmo, todo mundo veraneando junto), inclusive vovô e vovó. 

Mas vovô ficou doente e não pode viajar conosco. E a vovó também não foi porque todos os filhos viajariam para o mesmo lugar e alguém precisava ficar com o vovô. Aquela coisa que prometeram há quase 60 anos atrás: "... na alegria e na tristeza, na saúde e na doença ...". Pois é.

Fizemos, então, uma pequena mudança de planos. Havíamos comprado passagens aéreas do Rio para Floripa (o nosso destino das férias - na verdade um pouquinho mais ao sul de Floripa: Praia do Sonho, em Palhoça). Resolvemos alugar um carro e dar uma 'esticadinha' rápida até o sul, para passar o final de semana com meus pais. De quebra, ajudaríamos no que fosse possível, inclusive levando meu pai para fazer hemodiálise (enquanto não consegue vaga na clínica da cidade onde mora, ele faz numa clínica que fica a uns 100 km de distância).



O vôo saiu no horário, foi super tranquilo e, apesar de ter uma conexão em SP, foi super rápido. Chegamos em Floripa antes mesmo do horário marcado para retirar o carro. Comemos algo (apesar dos preços absurdos do aeroporto), retiramos o carro e seguimos direto para o sul. Pegamos um super engarrafamento na saída de Florianópolis, mas depois a viagem foi tranquila. Chegamos em tempo de jantar com meus pais e meus sobrinhos e sobrinhas. É muito bom ter a casa cheia, principalmente para meus pais. O ânimo deles muda.

Sábado fizemos algumas coisas pela rua (inclusive compra de supermercado para levar para praia) e após o almoço saímos em direção a POA. Pequeno foi junto. A princípio não iria levá-lo (ficar horas numa clínica de hemodiálise não é lá um programa muito apropriado para uma criança), mas resolvemos ir visitar meus tios, fazia tempo que não nos víamos.

Pequeno chegou na clínica curioso, com olhar atento e de mãos dadas com o avô. Logo meu pai foi chamado. Ele ainda deu uma olhadinha pra ver se conseguia ver o vô, mas não. Ficamos algumas poucas horinhas com meus tios, tempo suficiente para colocar o papo em dia e, logo, voltamos para a clínica. 

Pequeno estava ansioso. E a verdade é que eu também. Não sabia ao certo como meu pai sairia daquela sessão. Enquanto esperávamos, vimos algumas pessoas saindo e, a verdade, saíam bem abatidos e fracos. Mas, como sempre surpreendendo, meu pai saiu falante (como sempre) e sorridente. Foi logo apresentando o neto para o pessoal que trabalhava ali. Acho que ele fez uma força sobrenatural para mostrar pro neto que estava bem. Os dois foram até o carro de mãos dadas. Pequeno sempre de olho no vô, esboçando um sorriso de felicidade. Vez que outra alisava a careca do vovô.


Domingo de manhã foi hora de dar tchau, afinal de contas, tinha uma praia com tempo lindo esperando por nós e meus irmãos (bem sacanas!) dê-lhe mandar fotos das lindezas de lá.

Já havíamos estado nessa região há uns 7 anos (mais precisamente em setembro de 2010), mas a praia em si não aproveitamos quase nada, o tempo não ajudou muito. Desta vez seria diferente.



set/2010

set/2010

E foi. Tivemos dias lindos de sol. Vez que outra um nubladozinho para amenizar o calorão. Teve muita praia, muita areia, muitas risadas, muitas comilanças, paisagens lindas, caminhadas, relax, Pequeno que ficou livre-leve-solto, fez amizade e até levou uma chinelada no olho de um dos seus "amigos" (faz parte. Quem não tem aventuras de verão para contar?). Teve também um grande susto: meu pai teve um piripaque enquanto fazia a hemodiálise, passou mal, mas logo tudo ficou bem. Graças a Deus!

 


Meus irmãos e minha irmã (e as cunhadas e cunhado, meus sobrinhos e os amigos que também estavam hospedados no mesmo local que nós) foram parceiros de farra nota 10. Não teve tempo perdido e nem monotonia. Acordava da soneca da tarde e lá estavam várias mensagens no WhatsApp chamando para algum passeio. Teve passeio de banana boat em família, banho em alto mar, muito jogo de frescobol e alguma que outra caipira ... ninguém é de ferro e eu, particularmente, sou feita de cana :)







Mas, como tudo que é bom passa voando ... chegou o momento de voltarmos para casa. Afinal, as aulas do Pequeno já haviam começado e ele já tinha 4 dias de faltas. 

Voltar pra casa é sempre uma sensação estranha. Por um lado, não existe lugar no mundo melhor do que o seu cantinho, com suas coisas, seu travesseiro, sua rotina. Mas também, passamos dias tão bons, tão tranquilos, tão felizes, que dava preguiça e tristeza em voltar pra rotina do Rio de Janeiro (e com o medo de uma possível greve de policiais - que, finalmente, não se concretizou).



Chegamos tarde, comemos uma pizza congelada que havia ficado por aqui. Deixei pra arrumar as coisas da viagem no dia seguinte. E o dia seguinte foi estressante demais: acordar cedo para levar Pequeno para o curso, comprar livros da escola que estavam faltando, voltar correndo pra pegar o menino no curso, voar pra casa para fazer almoço, arrumar as coisas da escola e levar a criatura ansiosa na escola para o reencontro com os colegas.

Chegando em casa curtir o relax e o sossego? Não mesmo! Desfazer malas, lavar roupas (veio uma mochila só de roupa suja e com uns 20kg de areia - se o Ibama me pega!), arrumar a casa, fazer compras ... e,  quando vi,  o menino já estava de volta em casa. Prepara a janta, recolhe roupa, ajuda com o dever e a estudar as matérias perdidas durante a semana. Tudo isso aguentando uma coceira danada porque na nossa última noite na praia os mosquitos resolveram fazer a festa com minhas pernocas. Talvez umas 30 picadas espalhadas pelas coxas e mais algumas pelas costas.

acabou a folga!


Deitei na cama caindo de sono, mas juro que mentalizei que queria férias de novo. Num lugar paradisíaco, sem muita gente, com um clima agradável (mas com um solzinho bom pra bronzear o esqueleto). Mentalizei um mar limpo, calmo, um quiosquezinho próximo, com uma caipirinha deliciosa e um peixinho frito dos deuses. Quero minhas férias de volta!!!

Quase chorei. Só não chorei porque estava muito cansada e caí num sono profundo. E se sonhei, nem lembro. Ainda bem que o "dia seguinte" foi sábado ... gastei os lençóis de tanto que dormi.

Que pena que acabou!


                                                                                                                                                                                                                                  

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O Primeiro Amor Platônico.

Era uma vez um menino, de mais ou menos uns 9 anos. Um dia, estava em casa se preparando para sair com sua mãe. Como fizera ultimamente, o menino escolhera a roupa que vestir com todo o luxo de detalhes: a camiseta combinando com a bermuda, que combinava com o tênis. A meia, como sempre, bem esticadinha, no estilo look de turista. Cabelos cuidadosamente penteados.

O menino analisava seu visual no espelho. Mas havia algo dentro do seu coraçãozinho que não o deixava em paz. Uma coisa diferente, estranha, que ele precisava dividir com alguém. Resolveu, então, desabafar com sua mãe.

- "Manhê! Vem aqui!", gritou do quarto.

Ao chegar no quarto, a mãe primeiro pediu para que baixasse as meias, logo percebeu no rostinho dele uma expressão que misturava ansiedade, tristeza, vergonha.

- "Que houve?", perguntou.

- "Ow mãe! Preciso te falar uma coisa."

- "Fale."

- "Sabe aquela série que eu gosto de ver,  School of Rock?"

- "Aham."

- "Então, mãe - nesse momento brotaram tímidas lágrimas dos olhos  do menino - sabe a protagonista, aquela menina que canta e toca guitarra? Eu tô apaixonado por ela". O menino não aguentou tamanha mistura de sentimentos e desabou a chorar ...

- "Judiaria! A primeira dor de amor do meu filho!", disse a mãe.

A primeira reação foi sorrir, ela achou "bonitinho" e engraçado aquele momento, apesar do evidente sofrimento da sua criatura. A segunda e quase  que imediata  reação foi abraçá-lo.

Ele prosseguiu:

- "Mãe! Como vou fazer? Ela mora nos Estados Unidos ... ou Londres ... sei lá  onde ... mas é longe."

Então a mãe sentou na cama com o filho, pegou em sua mão e quando percebeu que de tanto chorar ele até soluçava - ou seja, a coisa era séria mesmo - resolveu  conversar mais calma e atentamente.

Disse que, em primeiro lugar, todo mundo (ou quase todo mundo) já tinha passado por isso alguma vez na vida: gostar de um ídolo, gostar muito, muito mesmo. Contou para o filho que uma de suas grandes paixonites quando tinha mais ou menos a idade dele (na verdade um pouquinho mais, o  menino saiu precoce!), foram os Menudos.

" Por eso baila, salta, grita, oh oh 
                                no te reprimas, no te reprimas ... "

Explicou quem eram, até cantarolou algumas músicas e reconheceu que até hoje tinha uma quedinha pelo Rick Martin. Contou que depois que passou essa fase, foi apaixonada por  um integrante da banda New Kids On The Block.

"step by step, uh baby ... 


Cantarolou de novo. Nessa altura,  o filho a olhava meio incrédulo, com os olhinhos vermelhos e lacrimejantes, sem entender a euforia da mãe.

- "Mãe! Ela é mais velha do que eu ... deve de ser uns 3 ou 4 anos mais velha.", inistiu ele com tom de tristeza.

Então a mãe precisou deixar as bobices que insistia em fazer para que seu menino não sofresse tanto e conversou sério de verdade.

Explicou que a primeira coisa que ele deveria ter em conta era que aquela menina era uma atriz, que ela representava um papel, numa história de ficção, que nada daquilo era real. Disse que mesmo que fossem vizinhos, conhecidos ou amigos daquela menina, ela seria bem diferente na vida real. Disse que era absolutamente normal ele sentir esse "sentimento estranho" por um ídolo, mas que precisava saber que era apenas uma ilusão. 

O olhar dele passou a ser de decepção.

Sobre a diferença de idade, explicou que isso não seria um problema. Que amor de verdade não tem idade, mas que disso ele se daria conta mais adiante. Até citou exemplos que tinha em sua família.

Ele a abraçou, sorriu meio encabulado e pediu que não contasse a ninguém. A mãe prometeu guardar segredo, menos para seu pai. Disse que entre os três não poderia haver segredos, que um precisava confiar no outro.  Ele concordou, mas pediu que conversassem mais tarde, talvez  na hora do jantar, num momento mais tranquilo.

A mãe achou a coisa mais amada desse mundo o sofrimento dele pelo primeiro amor platônico e foi para  Google pesquisar sobre sua utópica nora :) 

"Breanna Nicole Yde (Sydney11 de Junho de 2003) é uma atriz e cantora australiana. Ela é mais conhecida por interpretar Franciesca "Frankie" Hathaway na série da NickelodeonThe Haunted Hathaways." (fonte: Wikipedia)

Na série School of Rock ela é a Tomika.

- "O danadinho tem bom gosto!", pensou a mãe.

Por quantos momentos de decepções amorosas ele iria passar? Logo ele, o menino mais sensível desse mundo. Ficou pensando que seria uma sogra bem cascavel, jararaca mesmo - peçonhenta - ai de quem fizer seu filho sofrer!

E, refletindo consigo mesmo, deu até um friozinho no estômago em pensar que logo - essa droga de tempo que passa voando - as paixonites deixarão de ser platônicas e passarão a ser reais. Ela teve vontade de sentar na cama e começar a chorar também.

Como sofrem essas mães ...

P.S.: uma história que "deve de ter acontecido por aí", em algum lugar ... (psiu! Eu prometi que não iria contar pra ninguém) ... :)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

E as Férias, Como Foram?

Então. Não foi como havíamos planejado de início.

Quando finalmente pudemos organizar nossas férias (passar Natal e Ano Novo no Sul) e fomos pesquisar preços de passagens aéreas, quase tive um ataque. Uma média de 800 Reais por trajeto e POR PESSOA. Dependendo do dia da volta até baixava um pouco, mas não muito. Um absurdo. Diria até um roubo!

Havíamos jurado que JAMAIS voltaríamos a fazer o trajeto Rio x Osório de carro. Mas, como diria aquele velho sábio: "Nunca diga nunca". Pois é ... acabou que esta foi a nossa opção para essas férias. Não teve escapatória.

Havíamos, então, planejado fazer como da outra vez (aquela em que falamos que havia sido a primeira e a última): parar no meio do caminho para conhecer algum lugar desconhecido. Da outra vez levamos nosso Pequeno ao Beto Carreiro. Ele amou e nós também amamos curtir um pouquinho de SC.

Desta vez, havíamos decidido parar em Curitiba. Tanto marido quanto eu não conhecemos a capital paranaense.

Fizemos rotas, calculamos percurso, tempo de viagem, pesquisamos hotel, onde comer, o que visitar, etc. Mas uma espécie de "sexto sentido" fez com que não reservássemos nenhum hotel. Fomos deixando, deixando, deixando ...

Até que umas duas semanas antes de viajarmos, meu pai ficou doente. A princípio ficou internado para tratar um problema na perna que, logo descoberto o que realmente tinha, foi solicitado um procedimento que não pode ser realizado porque os rins do meu pai estavam super comprometidos. Tentaram solucionar o problema com medicação, mas não foi possível. Finalmente, o problema da perna passou para um segundo plano e meu pai teve que iniciar tratamento de hemodiálise. No início um baque para todo mundo: pra ele, pra minha mãe e para nós, filhos. Complicado ter que depender de uma máquina, várias vezes na semana, para seguir tocando a vida. Mas pouco a pouco a gente vai percebendo o outro lado da história: felizmente ele teve essa oportunidade de seguir em frente. Conforme vai passando o tempo a pessoa acostuma com uma nova realidade, estabelece uma nova rotina  de vida e percebe que tem tanta gente na mesma situação (e por vezes até numa situação pior dentro da mesma realidade), que a preocupação, o choro e o medo dão lugar à esperança.

Contudo, os dias foram passando, meu pai seguia no hospital e, óbvio, como quem me conhece sabe que sou nervosa e ansiosa, o que eu mais queria mesmo era chegar logo no Sul. Dane-se Curitiba, ela vai seguir lá linda e organizada, teremos oportunidade de conhecê-la num futuro. Não tinha condições de "ir passear" enquanto uma tormenta se instalava na minha casa (porque a casa dos meus pais sempre vai ser "a minha casa").

Tivemos sorte que nos deram um carro grande (porque alugar carro é sempre uma loteria), coube tudo o que queríamos levar (e dessa vez me esbaldei levando coisas para o Pequeno: brinquedos, bolas, skate, livros e vários travesseiros para ele ir bem cômodo no assento traseiro).

soninho bom

Queríamos ter saído bem cedo, de madrugada mesmo, mas por conta de tiroteios, arrastões, assaltos, etc (a ordem do dia no RJ), decidimos sair cedo, mas quando "fosse claro", colocando no sol a responsabilidade pela nossa segurança. Saímos pontualmente às 6:30h.

Foi uma viagem tranquila, alguma que outra tranqueira, mas nada que ver com a "da última vez" (É! Aquela que havíamos dito que teria sido a primeira e última), quando ficamos 7 horas parados literalmente no engarrafamento sem sentido na Serra do Cafezal.

Conseguimos chegar em Joinville/SC, com chuva, com muito cansaço, sono e uma vontade enorme de "chegar logo em casa".

No dia seguinte outras muitas horas dentro do carro, calculamos nossa rota para chegar em Laguna bem na hora do almoço (para comer um peixe delicioso - já bem conhecido nosso) e seguimos viagem, pegando sol e chuva pela estrada. Até que, finalmente, lá pelas 16hs chegamos em Osório. Por mim teria tocado direto mais uma hora e um pouquinho até POA para ver meu pai no hospital, mas primeiro ele pediu para não irmos, não queria que nosso Pequeno o visse lá, logo, a família nos convenceu de que era melhor descansarmos e irmos no dia seguinte.

E assim fizemos. E, para resumir, uns 3 dias depois meu pai teve alta e pouco a pouco fomos entrando na rotina de casa novamente. Ele como sempre teimoso (danado esse velhinho!), por vezes birrento, mas estávamos felizes e aliviados por tê-lo conosco.

Natal foi de casa cheia (bem cheia), teve amigo secreto gigantesco (umas quarenta e poucas pessoas), teve comilança, muita bebida, muita risada e algum que outro choro. Porque chorar também faz bem, ainda mais quando é choro de alívio e agradecimento.

banho de chuva na casa da vó e do vô: delícia!

Queria ter ido visitar os parentes, os amigos, mas realmente não deu. Todo nosso tempo foi para estarmos em casa com meus pais, ajudando no que fosse possível. Esse foi o intuito da nossa ida.

Pequeno se esbaldou de brincar com a prima Fefê, com o primo Lilo, que apesar de já estar "um mocinho" tem um carinho e uma paciência gigante com ele e reencontrou um amigão que ele adora: Pedro Joaquim, formam uma dupla perfeita.

parceiros de aventuras

Veio Ano Novo ... novamente comilança, muita bebida, conversa, mas a verdade é que na noite do reveillón estávamos todos meio cansados. Acho que estávamos ressacosos mesmo. Minha família não para nunca. Sempre tem algo para fazer e, quando não tem, eles inventam. Chega um momento em que o corpo pede um descansinho.

nossa despedida

Chegada a hora de vir embora ... momento complicadinho. Pequeno, como sempre, desata a chorar. Ele sofre muito quando nos despedimos de nossas famílias. Se questiona porque "temos que partir". E ficou preocupado, pois "se acontecer alguma coisa com o vô e a vó não souber cuidá-lo?". Achei até engraçado ele dizendo isso enquanto respingavam lágrimas dos seus olhos.

dama com a vovó

Saímos cedinho, dessa vez ainda noite. Não sei por que, mas as voltas sempre são mais cansativas e longas. Sabíamos que teríamos um longo dia pela frente. Dessa vez pegamos um super engarrafamento em SC, daqueles de estressar pela perda de tempo. Pegamos um temporal de dar medo no Paraná, mas conseguimos o nosso objetivo: dormir em Registro, num hotel que já conhecíamos da outra vez (Sim! Daquela ...).

Dia seguinte saímos mais tarde do que o previsto, mas conseguimos parar no Santuário em Aparecida. Tínhamos muito o que agradecer e queríamos, também, fazer alguns pedidos porque pessoas queridas estavam precisando. Logo, seguimos ... faltava pouco para chegar em casa.



Já no RJ, como sempre acontece conosco (não sei porquê?!), o GPS nos mandou por um caminho meio "estranho". E, convenhamos, "caminho estranho no RJ" não é lá muito confiável. Em tempo, desviamos e acabamos seguindo a indicação das placas mesmo e mandamos "pro espaço"  a maldita voz do GPS que insistia para retornarmos.

Ufa! De volta em casa, descarregamos o carro (que deveria ser entregue naquele mesmo dia). Marido foi devolvê-lo com a companhia do Pequeno e eu fiquei tentando botar a casa em ordem, a mente e o corpo também. Passou tudo tão rápido e tão intenso que foi preciso respirar fundo para voltar à rotina.

Dessa viagem, tirei alguns aprendizados:

* NUNCA diga NUNCA;

* Por mais que as coisas pareçam difíceis, sempre há esperança;

* Não adianta tentar mudar seus pais, por mais que você esteja cheio de boas intenções, não vai rolar;

* Ter com quem dividir as dificuldades faz com que elas pareçam menores;

* Você nunca sabe quando está dando o último abraço;

* A vida é uma caixinha de surpresas;

* O trânsito na  Serra do Cafezal continua a mesma droga;

* Se tiver uma nova viagem de carro pro Sul ... tudo bem, a gente encara!

Sabe qual é a parte boa dessa história? Daqui a pouco, em fevereiro, tem overdose de família novamente. Eba! Aguarde cenas dos próximos capítulos ...

uma das lindezas que a estrada proporciona

sábado, 31 de dezembro de 2016

Adeus ano velho ...

Cada ano que passa tenho mais certeza de que essa história de propósitos e desejos para o ano que se inicia é uma furada. Apenas uma maneira de deixar registrado a nossa incompetência, falta de vontade, falta de persistência e capacidade para realizar coisas. Não generalizo,  falo apenas por mim, não se ofenda.

Cansei de fazer listinhas desejando tirar minha carteira de motorista (nunca!), dar atenção ao meu corpo e fazer exercícios físicos (isso eu fiz, mas não adiantou de muita coisa ...), tentar ser uma pessoa melhor (quem sabe?!), mais calma e paciente  (talvez na próxima vida!).

Num primeiro momento vem aquela sensação de frustração, de que nada foi feito, de que o ano passou voando e teve um monte de tempo perdido. Balela! 2016 foi um ano lento, muito lento, mas aconteceu muita coisa ... boa e ruim; legal e nada divertida; rolou muito estresse e uma calmaria de dar nos nervos. Briguei com meu Pequeno, sobretudo por estresses com os estudos, mas compartilhamos tantos momentos de amor que logo esqueci todas as brigas. Espero que ele também. Meu Pequeno menino foi aprovado para o 4° ano com notas excelentes e segue jurando que essa coisa de não gostar de sentar para estudar é culpa da genética: "puxei ao tio Beto! ", diz ele.

Eu e marido viajamos, compartilhamos o sonho do tão desejado Machu  Picchu e afogamos nossas mágoas,  nossos medos e nossos arrependimentos em muitas taças de vinho.

Fiquei doente, fiquei chata (mais ainda!), fiquei neurótica e por vezes insuportável e ele, mais um ano, esteve do meu lado me dando carinho, atenção e cuidado. Obrigada, Amore! ❤

Pessoas queridas adoeceram e, mais uma vez, vem essa caixinha de surpresas chamada Vida dar na cara da gente, aquele tapa seco e dolorido,  pra mostrar que somos insignificantes e que o tempo passa voando trazendo consigo a incerteza do futuro.

 Mas nesses momentos difíceis,  mais uma vez, ano trás ano, tive a certeza de que tanto nos bons momentos mas, sobretudo,  naqueles mais difíceis,  é tão importante e aliviador ter companheiros de vida para dividir o peso dos problemas quando necessário e vários ombros para se apoiar quando a gente fraquejar.

Eu estou falando dos meus irmãos e da minha irmã. Nosso pai ficou doente novamente. Uma doença séria e inesperada, que rendeu muitos dias e noites de hospital, abatimento e tristeza e, infelizmente, dependerá de uma máquina para seguir adiante.

Em todo o momento meus irmãos e minha irmã estiveram ao lado dele, passando 24hs por dia no hospital, cuidando-o, dando carinho, atenção e aguentando no osso todos os momentos difíceis,  de sofrimento, as birras e os choros. Buscando forças do fundo da alma pra passar pra ele a confiança necessária para seguir adiante.

Graças à dedicação,  cuidado e persistência dos meus irmãos ele, meu pai, a nossa ave Fênix, conseguiu  mais uma vez. Meus irmãos e minha irmã, eu amo vocês,  do fundo da minha alma! Vocês são meus melhores e maiores exemplos de vida! ❤

Vivi parte dessa história de longe, carregando o peso de ser uma filha distante, me flagelando por não poder estar presente, não poder dividir in sito a dor dos problemas com meus irmãos.

E, como sou bem doida e adoro complicar a minha vida, neste ano, mais do que nunca, me pesou - E MUITO - não ter dado um irmão para o meu Pequeno. Logo ele que seria o melhor irmão do mundo, por culpa das circunstâncias da vida, por culpa de um pouco de medo e de egoísmo,  vai ter que encarar, talvez, num futuro,  a dificuldade de ser um filho único. Eu, que tenho 4 companheiros de vida maravilhosos sei bem o que é isso. Tê-los em minha vida facilitou grande parte das minhas escolhas. Talvez a principal delas a de morar longe. Quem sabe, se não tivesse meus irmãos,  talvez, tivesse optado por jamais me separar dos meus pais. Vai saber ... falei que gosto de complicar a minha vida!

Logo no início do ano matamos as saudades da nossa família da Itália.  Mas logo voltamos e a saudade já começou a aparecer. Momentos que perdemos,  os sobrinhos que crescem, os quitutes da nonna que não degustamos. Sai ano, entra ano e seguimos no nosso dilema de saudades constantes. Infelizmente nossa conta bancária não permite dar o abraço sempre que desejamos.

Vimos Pequeno crescer assustadoramente. Notei pelas roupas que não serviram mais. Os dentes mudaram, a aparência ... e novas manias estranhas surgiram.

 O menino cresceu, adora YouTubers e, neste ano, me peguei cantarolando uma música do Justin Bieber que ele adora. Me senti velha e chata ao resmungar que o menino -Justin- era um porre. Liberdade de escolha: deixa o menino ter o gosto musical que ele quiser. Como diz o título da musica: Sorry, Pequeno! Mas confesso que fiquei mais aliviada quando o escutei cantarolar no chuveiro músicas do One Direction ou do Bruno Mars.

Enfim ... estou aqui, juntando pedaços espalhados por esse ano que está acabando. Pedaços grandes e pequenos, coloridos e sem cor, juntando aqueles que valeram a pena com aqueles que nem precisavam ter existido. Mas, no final, tudo é aprendizado, tudo é experiência e tudo é vida que segue ... graças a Deus!

Que 2017 seja melhor que o ano que acaba. Que saibamos lidar com as dificuldades de tal maneira que elas não minimizem nossos momentos felizes e que delas saibamos tirar a força necessária para seguir em frente. Em especial, peço saúde para os meus.

Se eu tenho minha lista de desejos? Quem sabe ... mas,  mais importante do que pedir o que quero mesmo é agradecer por tudo que tenho e por quem eu tenho.

Um beijo no coração de cada um que dedica um tempinho para nos ler. Um Feliz 2017 para tod@s!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Meu Bom Velhinho.

Caro Papai Noel!

Faz tempo que não lhe escrevo. Tempo mesmo. Talvez uns 30 anos.

Desculpe-me. Descobri que você "não existia" e fiquei furiosa ... com você. Resolvi lhe esquecer, lhe ignorar, por muitos e muitos anos. Até que recebi o meu melhor presente: o meu Pequeno.

Pouco a pouco ele foi fazendo com que me reencontrasse com você. Voltei a ter ilusão com cada cartinha que ele lhe escreveu. Cada brilho no olho ao se reencontrar com você, era uma luzinha nova que se acendia em meu coração.

Mas então, caro Bom Velhinho, chegou o momento do meu Pequeno descobrir que você "não existia". Para ele, um menino cheio de bons sentimentos e cheio de ilusão, foi um momento difícil e triste. Não tinha mais graça, então, essa história de Natal. Não tinha graça o presente ser comprado por pais e mães. A graça toda estava em você.

Mas, ao contrário de mim, querido Papai Noel,  ele não desacreditou de golpe. Foi uma descrença gradativa, mas sempre guardando uma pontinha de esperança. Dia desses encontrou com um dos seus milhares de sósias espalhados pelo mundo, levando ilusão aos coraçõezinhos infantis. O olhinho dele brilhou como antes e foi correndo lhe dar um abraço e puxar assunto até não poder mais. Então, enquanto preparava o celular para registrar o momento, como num passe de mágicas, meu coração se abriu para você novamente.

Perdoe-me por ter demorado tanto tempo para o nosso reencontro.

Será que ainda tenho direito a lhe escrever meu pedido? Você, com seu coração bondoso, generoso e imenso, talvez, possa ainda me atender.

Caro Papai Noel! Fiquei anos em dívida com você. Lhe esqueci. Lhe ingnorei. Me desiludi.

Se você ainda tiver um tempinho para mim, receba, então, meu pedido, por favor.

Eu queria pedir um coração mais manso, mais tranquilo. Um coração que não se deixasse amargurar pelos problemas diários, desse mundão que anda bem triste e, por vezes, até chato. Mantenha em mim a certeza de que a bondade, a humildade, a generosidade prevalecem sempre. Siga me inspirando na rotina diária com o meu Pequeno: ele é meu melhor exemplo de que corações puros e generosos sempre existirão.

Me ajude a perseverar sempre. Ter esperança e manter vivos sonhos e desejos. Por mais utópicos que sejam, me faça seguir acreditando e lutando por eles.

Mantenha-me firme e persistente nos cuidados com minha saúde. Neste ano aprendi que o tempo passa para todos e que, independentemente de idade, é preciso cuidado diário, atenção e preocupação consigo.

Mas o meu principal desejo, meu Bom Velhinho, é contar com a presença de meu pai e minha mãe. Tem uma coisa que não mudou nada, nadinha, desde aquela nossa última correspondência, há uns 30 anos: preciso - e muito - deles em minha vida. Saber que logo darei um beijo, receberei um abraço, terei a companhia deles, me faz a pessoa mais feliz desse mundo. Eu preciso deles em minha vida.

Tivemos um susto bem grande, daqueles de dar medo. Mas, uma vez mais, meu pai tirou forças nem sei de onde e segue lutando. É muito difícil ver quem a gente ama sofrer, se abater. Te peço,  meu Bom Velhinho, que dê ao MEU VELHINHO a serenidade, paciência e resiliência necessárias para seguir adiante com uma nova rotina de vida.

Abençoa a meus irmãos e minha irmã com muita saúde.  Eles são os melhores filhos do mundo e meus melhores companheiros de vida.

Lembra daquela ilusão que eu tive quando lhe pedi a piscina de Natal? Lembra de quando pedi a bicicleta? Pois então,  mantenho essa mesma ilusão com os pedidos que acabei de lhe fazer.

Eu prometo, Papai Noel, manter viva a minha esperança,  prometo ser persistente nos meus propósitos e juro, juro mesmo, que assim como meu Pequeno, jamais vou lhe esquecer.

Um Feliz Natal para todos!