"Face"-me

"Orkut"-me

terça-feira, 6 de março de 2012

Meninu du Riu.

- "Mãe, por que as pessoas aqui falam 'purtugueis'?"

- "Porque estamos no Brasil ... e aqui a gente fala português."

- "Mas Osório também é Brasil ... né?"

- "Sim."

- "Mas lá o 'purtugueis' é diferente ... né?"

- "!"

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- "Mãe! Por que aqui ninguém fala meu nome direito?"

- "Porque as pessoas não entendem direito. Tu tem que explicar que teu nome é N-I-C-O-L-A."

- "É, mas aqui só me chamam de cola e Nicolás. Quero voltar a ter meu nome de Roma".

Falei pro Papai que era melhor tê-lo chamado Pietro.

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- "Mãe, aqui faz SEMPRE calor?"

- "Não sempre, mas não faz frio como lá."

- "Não precisa usar roupa pesada?"

- "Não."

- "Nem gorro, manta e luva?"

- "Não."

- "Mãe!"

- "Quê?"

- "Acho que eu vou gostar daqui."

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Depois de conversar quase meia hora no telefone com tio Beto (meu irmão), pego o telefone do Pequeno e começo a falar. Ele volta e fica berrando no meu ouvido:

- "Me passa ele de novo, esqueci de falar uma coisa importante. Vai! Me passa, me passa, me passa, me passa o Tio Beto."

Peço pro tio Beto esperar um pouquinho, pois o chato esqueceu de falar algo.

Ele pega o telefone e diz:

- "Te amo, tio Beto!".

Realmente ele tinha razão. Era uma coisa bem importante.

segunda-feira, 5 de março de 2012

O Primeiro Finde Como Cariocas.

Aquele bando de malas chegou inteirinho. A primeira, a segunda, a terceira, a quarta e a quinta. Mais duas mochilas que levamos conosco no avião e, pronto. Pegamos um taxi (novamente com um condutor bemmmmmmmm bom de papo).

Pegamos um pouco de engarrafamento. Nada de muito exagerado, mas já deu pra ter uma idéia de como é o trânsito no Rio. O motorista do taxi tentava se desculpar. A gente disse pra ele não esquentar, que vinhamos de Roma e o trânsito por lá era muito mais caótico.

Finalmente chegamos no apartamento que a empresa alugou pra gente, pra este primeiro mês. Na verdade pensávamos que era um apart hotel. Mas é um edifício com apartamentos que são alugados por temporada. Funciona mais ou menos como um apart (tem pessoas que fazem limpeza, tem recepcionista, etc), mas cada apartamento pertence a um dono diferente.



A primeira impressão foi maravilhosa. Estamos em Ipanema, numa zona muito bonita e com um apartamento de frente pro mar. É só atravessar a rua e já estamos no calçadão.

As malas foram organizadas (ou melhor, desfeitas) pouco a pouco. Saimos pra fazer as primeiras compras (o primeiro susto: gastamos um absurdo!!!!! - pro meu gosto, claro!). Logo, fomos levar Pequeno na praia. Só atravessamos a rua e, pronto. Ele levou uma garrafinha de água do apartamento e fez a festa brincando na areia. Depois, passeio pelo calçadão. Pequeno "descobriu" a água de côco. Agora ele só quer saber de "descer pra beber aquela água do couco". Adorou a idéia de andar de sunga por aí. Se deixasse, ele iria de sunga pra todos os lados.




Desde ontem ele está com uma irritaçãozinha no rosto. A farmacêutica disse que "acha" que é por conta do calor. Eu também suspeito que seja isso. Vamos esperar e, se não melhorar, levo ele na pediatra.

Sábado fomos passear por Copacabana. O segundo susto: o preço da passagem de metrô. Outro absurdo! Mais caro do que Roma.

Eu estou naquela fase chata, de sustos e mais sustos. É inevitável não fazer a conversão de moeda, embora saiba que isto é uma roubada. Estamos aqui, o dinheiro é Real e pronto. O Euro ficou pra trás. Sei que preciso de um tempo pra me adaptar, entrar no rotina e desestressar. Até lá, Papai vai ter que aguentar meus momentos de pânico. Já tive meu primeiro momento de "o que eu vim fazer aqui?".

Mas é só sair, sentir o calor, ver o povo correndo pra lá e pra cá, jogando vôlei, aproveitando o mar que, pronto. Logo passa.

Pequeno está curioso pra "conhecer os novos amiguinhos da escola nova". Vez que outra ele pergunta: "e aí, onde é minha escola?".

Continua buscando os pássaros e macacos do filme Rio, sem êxito.

E já chorou querendo voltar pra casa de Roma. Corta o coração e, vez que outra, eu e Papai nos preocupamos.

Já comemos em boteco, marido já foi no banco de chinelo de dedo. Pequeno já pediu pra ir no Bob's comer sorvete. Já fiz compras na feirinha de sexta-feira. Nosso café da manhã está sendo acompanhado de um delicioso e docinho mamão, diariamente. Já bebi suco natural. Já vi Faustão, Fantástico e novela. BBB não dá, sem condições. Tenho acordado cedo, antes das 7hs e fico boba vendo o povo na rua correndo, caminhando e fazendo exercícios em plena manhã cedinho. Hoje assisti de camarote o povo do vôlei de praia treinando.

Hoje, também,  foi o primeiro dia de trabalho do marido. Estou ansiosa esperando por ele pra saber como foi tudo.

Enquanto isto, estou aqui com um friozinho danado na barriga. Feliz, com um pouco de medo, um pouco de ansiedade, me adaptando novamente como brasileira que ficou 10 anos fora e louquinha de vontade pra descobrir logo de uma vez o que o Rio de Janeiro reserva pra nós ...

A viagem.

Contratamos uma van para nos buscar no hotel. Era mais econômico que um taxi e precisávamos de um carro grande, pois tínhamos 3 malas grandonas, duas malas médias e mais 2 mochilas. O motorista da van ainda brincou: "estão levando o Coliseu em pedaços?".

Fizemos um longo trajeto até o aeroporto de Fiumicino. O motorista não calou a boca nem um segundo. Papai que dava trela pra ele. Pequeno que aproveitou pra tirar um cochilo. E eu aproveitei somente pra me despedir da paisagem.



No aeroporto tivemos um pequeno momento de estress com um funcionário antipático da Alitália. Primeiro encrencou porque meu marido não tinha passagem de retorno. Tentamos explicar que ele estava indo por motivos de trabalho (ou seja, não retornaria), que a própria empresa tinha se encarregado de comprar nossas passagens e, embora a colega estivesse ao lado dele dizendo "não precisa bilhete de retorno. Pro Brasil ao contrário de  ... blá blá blá ... está escrito aqui (mostrando a tela do computador) ele não precisa". Mas parece que o antipático fazia questão de nos estressar. Ok. Seguinte passo: estress com o peso das malas. Ligamos num primeiro momento e nos disseram que teríamos direito a 2 malas de 32Kg, cada viajante. Ligamos num segundo momento, "somente pra confirmar", e nos disseram que teríamos direito a duas malas de 23Kg, cada um. Ok. Cálculo rápido e, no total, teríamos direito a mais de 100kg. Ainda confirmamos se o peso poderia ser "total" (ou seja, levar uma mala de 30Kg e outra de 16Kg, por exemplo). Disseram que sim, sem problemas. Ainda pensei: "a ordem dos fatores não altera o produto". Acontece que o antipático disse q teríamos que  levar 6 malas de 23Kg cada uma. Insistimos que a própria Alitália havia confirmado isto. Ele fez cara de "não é verdade". Insistimos que ao invés de 6 malas, estávamos levando 5 e não havíamos atingido o peso máximo. Papai insistiu com cara de poucos amigos. Eu dei umas olhadas com meu "olhar de demônio". Pequeno que começava a chorar porque estava cansado e com fome. Aquele tipo de situação em que a gente pensa: "só faltava essa". E tudo isto porque tínhamos passagem business class ... Nossa Senhora da Paciência dos Viajantes, rogai por nós! Pelo menos controle prioritário pra passar pela polícia tivemos.

Chegamos cedo na zona de embarque. Ainda deu tempo de comprarmos vinho e fomos direto para o que eles chamam de "sala vip". Uma bosta droga! Nem a internet funcionou. Pelo menos tinha comida e bebida grátis ... e assentos confortáveis.

Pontualmente nos chamaram para o embarque. E, ao contrário das outras vezes onde atravessamos o avião inteiro em direção às nossas poltronas, desta vez ficamos "logo ali" na entrada. Assentos individuais. Papai deu um sorrisinho. Pequeno queria assistir o filme do Cars. E eu louca pra saber a função de todos aqueles botõezinhos do lado do assento.

Edredonzinho quentinho. Travesseiro confortável. Comida servida em prato decente. Bebida servida em copos decentes. Talheres decentes. Guardanapo de pano. Um luxo! Bebi uma super taça de vinho branco. De aperitivo, um pouco de limoncello. Apertei os devidos botõezinhos e o assento virou cama. Uauuuuuu!

Bom, pra resumir, só não foi tudo perfeito porque Pequeno, várias vezes, quase caiu da poltrona. Vez que outra eu acordava para dar uma olhadinha nele (detalhe: ele dormiu a viagem inteirinha!).

Acordei faltando umas 3 horas pra nossa chegada. Aproveitei pra escutar todas as músicas disponíveis no sistema do avião. Aproveitei, também,  pra utilizar os últimos botões da poltrona que faltavam: os da massagem. Uma maravilha!

Pequeno acordou na hora do café da manhã. Logo, apertamos os cintos para a aterrissagem.

Parecia mentira, mas havíamos chegado ao nosso destino.

O avião ainda estava de caminho ao terminal onde iriamos desembarcar e Pequeno já se estressava porque tinha olhado pela janela e não viu nenhum macaco. (???)

Ele achou que chegaria direto no cenário do filme Rio, com toda aquela paisagem colorida e cheia de bichos.

Segue ...


quinta-feira, 1 de março de 2012

Ciao, Roma.

Tenho o coração transbordado de sentimentos.

50% dele é tristeza. É a saudade que, embora nem tenha partido ainda (nosso vôo só sai as 23hs), já lateja insistentemente aqui dentro. É saudade gigante. Saudade das pessoas: esses 3 anos de convivência com a família do meu amore só veio a reforçar o quanto  é importante ter alguém por perto. Fecho os olhos e relembro os sorrisos que meu Pequeno deu junto aos primos, as bagunças que fizeram juntos e que tantas vezes deixaram a nonna com os cabelos mais brancos ainda. Aliás, a nonna ... que saudade gigante que eu vou sentir dela. E só em escrever isto meus olhos já transbordam de lágrimas. Ela do jeito dela, eu do meu jeito. Mas sinto um carinho tão grande, por todas as vezes em que ela me acolheu, me deu carinho (da sua maneira), me fez companhia, me ensinou, "aprendeu" comigo também, das histórias que ela me contou, das mesmas histórias que ela repetia, da ligação antecipada que ela sempre fazia pra me dar "parabéns". Sempre me senti EM CASA, na casa dela. Sempre me senti bem, querida e respeitada. Sinto muito a fama "maldosa" que as sogras tem, mas eu adoro a minha e se hoje o coração bate triste, é por causa dela.

Vou sentir saudade da cidade. Não que eu tenha "esquecido" o quão caótica e estressante é Roma. Ela continua igual. Mas Roma è bella! Justiça seja feita! É um museu ao céu aberto. É cultura. Vou sentir saudades de ir a Piazza del Popolo buscar o Papai e, depois do trabalho, passearmos por Via del Corso, passear pelo Pantheon, girar pelas ruas pequeninas e menos movimentadas,  ir jantar em Trastevere e depois seguir o caminho de volta pra casa.

Vou sentir saudades da comida: da boa pasta, da boa pizza, do bom caffè. Do bom gelato. Dos chocolates. Do tiramisù. Do limoncello. Da minestra da minha sogra.

Carrego também o peso de estar tirando meu Pequeno do seu habitat: da casa em que ele estava acostumado a viver, da escola, dos coleguinhas, da profe, da piscina. Espero que toda esta mudança radical não influencie negativamente. Sei que ele é pequeno, que na idade em que ele está todo esse processo gigantesco de adaptação (novo lugar, nova cultura, novo estilo de vida, nova língua) vai ser muito mais fácil pra ele. Esses pequeninos são como esponjas que absorvem tudo com uma facilidade tremenda.

Hoje ele acordou e com um olhinho brilhante e feliz perguntou se "era hoje o dia de ir pro Rio". E, com a resposta afirmativa, esboçou um sorriso.

Mas, 50% do meu coração transborda de felicidade. Estar mais perto da minha família é um sonho sendo realizado. Ter meus pais a tão somente 2 horinhas de vôo (e não mais um oceano nos separando) é um presente divino. Tiro das minhas costas um sentimento de culpa gigante por estar tão longe deles, vê-los somente 1 vez ao ano, não compartilhar com eles os bons momentos mas, sobretudo, não estar perto pra ser um apoio nos momentos mais difíceis. Minha família é "gigante", como costumo dizer. E gigante é meu amor por cada um deles.

Sei que não nos veremos diariamente, mas o fato de ter entre nós uma distância mais curta, onde posso, se preciso, encontrá-los até mesmo de ônibus e carro, alivia meu coração.

Tenho certeza de que será uma mudança que nos recompensará somente com coisas boas, para os 3. Teremos, ambos, nossa nova fase de adaptação, cada um a seu ritmo e sua maneira. Mas eu estarei na minha terra, com pessoas que falam a minha língua, pessoas simpáticas e, nos momentos de estress, tenho certeza, não vou hesitar em dizer um "puta que pariu!" e ficar bem aliviada. Já me sinto mais "livre e leve" (solta não, afinal, sou mulher de família ...rs).

Vai ser uma experiência maravilhosa pro meu amore. Ele, que adora novas aventuras, já está prontinho e ansioso pra começar a nova etapa.

E eu vou amar escutar meu Pequeno falando um carioquêxxxxxx maneiro! Já até vejo ele daqui alguns anos, nos nossos momentos de discussões, me dizendo:

- "Caraca, mamãe! Você é sinixxxxtra! Me deixa em paxxxxx!"

E então ...

... começa uma nova etapa da nossa vidinha ...

...  com a companhia constante da danada da saudade.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Contagem Regressiva: 1 dia.

Pois é. O tempo voa, muita coisa acumulada. A sensação de que não vai dar tempo pra tudo. Mas, deu.

a bagunça

Ontem a mudança já saiu da nossa antiga casa. Casa esta que ontem mesmo deixou de ser nossa. A mudança saiu, marido trouxe as malas pro hotel (ao lado do nosso antigo apartamento). Pra ajudar, justo ontem me deu uma crise de cólica terrível. De tempos em tempos tenho essas cólicas fortes (daquelas que dói até as costas, dá náuseas, um saco!). Assim que vim pro hotel com o Pequeno e o marido foi limpar o apartamento. Mas logo melhorei e a noite fomos jantar na casa de um casal de amigos.

Estou asquerosa de tão chorona! Hoje chorei até com uma propaganda que vi. Imagina a situação ...

A gota d'água aconteceu quando fui buscar Pequeno na escola. Comprei um presentinho pra profe e fui mais cedo, pra despedida  acontecer logo. A profe pediu pros coleguinhas darem "ciao" pro meu Pequeno, todos os pequeninos aplaudiram, o amigo do coração disse que não queria que ele fosse embora e um outro coleguinha emendou com um "Que pecado que ele tem que ir!".

A profe, que já tinha feito mil elogios durante a manhã pro Papai, novamente disse que sentiria muita saudade dele, que Pequeno é um menino de ouro, que somos bons pais e que ser profe de uma criança assim era um orgulho. Eu, por um momento, mandei pro espaço meu papel de mãe-durona-chata-rabugenta, me emocionei, engasguei e quase não consegui dizer nada mais que "grazie!" pra mulher. Imagina a situação ... de novo!!!!

Mas, falando em choradeira ... o momento mais difícil aconteceu mesmo no final de semana.

Fomos na quinta-feira pra casa da sogra e ficamos com ela até o domingo.

olha a neve ... ainda está por lá

brincando com a prima

Aguentei o que pude, mas não consegui controlar o choro na hora da despedida com meus cunhados e sobrinhos. Eles fazem uma bagunça danada, de deixar com dor de cabeça, mas vou sentir uma falta tremenda deles. Saber que quando nos reencontrarmos eles estarão diferentes e todos os momentos em que perderemos deles, me deixa triste.



Tentei aguentar e manter a pinta de forte na hora de dar "ciao" pra sogra. Mas existem coisas que são muitíssimo mais fortes do que eu. Pra ajudar, meu Pequeno desatou a chorar desesperadamente, que não queria mais ir embora.

- "Eu não posso deixar minha nonna e a Valéria (prima) sozinhas ... eu não quero ir. E quer saber, nem quero mais ver macaco!" [nós comentamos que no Rio, na trilha da Urca, ele poderia ver os macaquinhos (mico leão)]

Sim! Imagina a situação.

Adiamos por vários minutos a partida ... pra ver se o menino se acalmava. Mas, no final, quanto mais passava o tempo, mais aumentava o sofrimento da nonna.

Jamais vou esquecer da cena: olhando pelo retrovisor, vendo minha sogra de lenço enrolado na cabeça, chorando e acenando. Que pena!

O trajeto Capistrello X Roma nunca foi tão silencioso.

Pequeno dormiu a viagem inteira. Quando acordou já estávamos em Roma. E a primeira coisa que ele fez foi reiniciar o choro e dizer:

- "Quero ficar em Capistrello!"

Conforta saber que certamente voltaremos, ao menos 1 vez ao ano pra visitar a nonna e a família.

Mas foi bom demais estar pertinho deles. Vai ser muito difícil controlar a saudade ...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Está Chegando a Hora.

E a hora mais difícil. Não me refiro à mudança. Afinal, a bagunça e estress são inevitáveis, porém, pouco a pouco tudo vai tomando jeito.

A casa já está uma bagunça. Independente da peça onde entremos, tem uma ou várias malas atiradas pelo chão, sobre as camas. A "decoração" que já quase nem existe, a tv que já não está mais na parede, os armários vazios ... e, sobretudo a angústia de querer encaixotar de uma vez todo o resto mas ter que esperar pelo pessoal da empresa de mudanças (que chegam na segunda).






Hoje, finalmente, iremos pra Capistrello. E é justamente ali que será a parte mais difícil: a despedida. Estou com o coração partido, em pedaços, de verdade. Por um lado estou super feliz de voltar ao meu país, depois de 10 anos fora. É um alívio enorme voltar, me sentir livre e independente em muitos aspectos. Sobretudo, estar perto da minha família. Duas horinhas em avião e, pronto. Mas por outra parte sinto muito deixar minha sogra. Separar meu Pequeno da nonna. Estar longe dos sobrinhos. Não ter mais minhas 'viandinhas' de final de semana.

Por mais que passe o tempo jamais me acostumarei com a saudade.

Mas, sendo cada um de uma parte do mundo, o negócio é controlar a saudade, domar o coração e aproveitar cada momento ao máximo. Seja aqui ou lá.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Meu Rei Midas

O tema didático deste ano da escola do meu Pequeno é sobre uma parte da mitologia grega. Mais precisamente, sobre o Rei Midas. Desde que iniciou o ano letivo (em setembro passado), eles vem desenvolvendo vários trabalhinhos sobre o tema. No carnaval  não poderia ser diferente. Adivinha de que eles se fantasiaram? Sim. A profe e eles montaram uma super fantasia do famoso Midas.

Hoje pela manhã fizeram o desfile de carnaval (o do ano passado podem ver clicando aqui). Como de costume, eles saem da escola, fazem um passeio pelo bairro até um parque. Ali no parque fazem farra, jogam confetes e serpentinas, tiram fotos, dançam, cantam, brincam de roda, mais um pouco de foto e, logo, fazem o caminho de retorno à escola.

Como este era o último carnaval do Pequeno por aqui, Papai também foi vê-lo. E ele ficou todo feliz.


não basta ser pai, tem que participar!


o Rei Midas mais lindo deste mundo!



é carnaval!!!!!





tá pensando que é fácil assoprar este negócio?





Pois bem ...

Já em casa, fazendo uma sessão de fotos pra guardar de recordação (embora tenhamos trazido pra casa a fantasia), em determinado momento Pequeno me pergunta:

- "Tu sabe quem é Dionísio?"

Eu, na minha santa ignorância ingenuidade, mais que prontamente respondo:

- "Sim, é o marido da dona Iolanda." (Dona Iolanda é a sogra de um dos meus irmãos e Dionísio (agora nao sei se é com S ou com Z) é o sogro.

Pequeno, na sua delicadeza e paciência digna de filho-com-mãe-burra, me explica:

- "Nãooooooooo, mãe. Dionísio é aquele que tem um chapéu de uva de vinho, que caiu daquele cavalo de madeira."

Me dei por conta de que o papo era sério e que tinha algo que ver com o tema da fantasia. Pra resumir, Dionísio é o Baco, deus do vinho. E "aquele cavalo" nada mais é do que o cavalo de Troia.

Com a cara vermelha de vergonha, vim voando pro pc, pesquisar na internet sobre o Rei Midas. A santa Wikipédia me ajudou a conectar os fios da boa e excelente explicação mitológica do meu Pequeno:

(Segundo a Wikipédia)

"Certa vez Baco (ou Dionísio, deus do vinho) deu por falta de seu mestre e pai de criação, Sileno. O velho andara bebendo e, tendo perdido o caminho, foi encontrado por alguns camponeses que o levaram ao seu rei, Midas. Midas reconheceu-o, tratou-o com hospitalidade, conservando-o em sua companhia durante dez dias, no meio de grande alegria.

No décimo-primeiro dia, levou Sileno de volta e entregou-o são e salvo a seu pupilo. Baco ofereceu, então, a Midas o direito de escolher a recompensa que desejasse, qualquer que fosse ela. Midas pediu que tudo em que tocasse imediatamente fosse mudado em ouro. Baco consentiu, embora pesaroso por não ter ele feito uma escolha melhor.

Midas seguiu caminho, jubiloso com o poder recém-adquirido, que se apressou a pôr em prova. Mal acreditou nos próprios olhos quando viu um raminho que arrancara de um carvalho transformar-se em ouro em sua mão. Segurou uma pedra; ela mudou-se em ouro. Pegou um torrão de terra; virou ouro. Colheu um fruto da macieira; ter-se-ia dito que furtara do jardim das Hespérides.

Sua alegria não conheceu limite e, logo que chegou à casa, ordenou aos criados que servissem um magnífico repasto. Então verificou, horrorizado, que, se tocava o pão, este enrijecia em suas mãos; se levava comida à boca, seus dentes não conseguiam mastigá-la. Tomou um cálice de vinho, mas a bebida desceu-lhe pela boca como ouro derretido, sua filha o enconstou e se transformou em ouro.

Consternado com essa aflição sem precedentes, Midas lutou para livrar-se daquele poder: detestava o dom. Tudo em vão, porém; a morte por inanição parecia aguardá-lo. Ergueu os braços, reluzentes de ouro, numa prece a Baco, implorando que o livrasse daquela destruição fulgurante. Baco, divindade benévola, ouviu e consentiu. "a agua corrente desfaz o toque ", disse-lhe Dyonisos,´´mergulhao que tocastes num rio,e os objetos em que tocaste voltarão a ser o que eram``.

Midas correu a cumprir o que dissera o deus do vinho e, com a água do rio Pactolo, que correu num jarro, foi banhando todos os objetos em que tocara, restituindo-lhes a natureza primitiva, a começar pela própria filha, que ele , então, pôde abraçar sem perigo de torná-la de ouro. Dizem que Midas, ao se abaixar para colher a água na margem do rio, tocou na areia com as mãos e que, por isso, ainda hoje, o rio Pactolo corre por sobre um leito de areias douradas."


E eu estou até agora vermelhinha de vergonha ...

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E a função de mudança???? Bom, melhor nem comentar ...