terça-feira, 19 de setembro de 2017

Pequenices ... sempre.

- "Mãe! Me compra esse diário?", pediu Pequeno na loja.

- "Diário, Nicola? Tem um monte de caderno em casa que tu usa pra escrever ..."

E é verdade. Ele adora escrever diários por todos os cadernos, blocos, cadernetas e qualquer tipo de papel que esteja dando sopa à sua volta.

- "Mãe! Mas nenhum é diário de verdade. Olha esse que legal!"

Era legal mesmo. Um diário especial para meninos, com uma caneta "mágica" que poderia ser lida somente no escuro, com a ajuda de uma "luzinha" que vinha junto com a caneta.

Na minha última tentativa de negativa, após ver a capa do bendito diário, digo:

- "Ah! Não vou comprar, não. Ali tá escrito: "proibido para meninas". Não vou poder ler. Nada feito."




- "Mãe! Tu vai poder ler. Tu não é menina. Tu é mãe."

Achei melhor ficar quieta e fui pagar a droga do diário.

P.S.: em breve mais notícias do danado. Aguarde novos posts ;)

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Pequeno acordou, veio na sala e, com cara um pouco assustada, me disse:

- "Por favor, mãe! Tu não vai acreditar!"

Já assustada (mãe de criança vive em tensão constante), disse:

- "Que foi, menino?"

- "Mãe! Lembra quando o Max e a Beta estavam aqui?" [Beta é a prima e Max o namorado dela]

- "Lembro."

- "Então ... tu lembra aquele dia que o Max acordou "desesperado" porque havia sonhado com dente? Lembra que ele ficou nervoso que sonhar com dente significa uma má notícia, que pode ser que alguém que a gente goste morra?"

- "Ai, menino! No que tu tá pensando?"

- "Mãe! Eu sonhei que perdi meu dente. Sonhar que perde dente é notícia triste de alguém querido."

Será que esse menino anda lendo livro dos sonhos?

- "Dá onde tu tirou isso?"

- "Mãe! Não vou pra escola hoje. Vou ficar contigo o tempo todo te cuidando. Já pensou?"

Eu, hein?! Menino agorento.

P.S.: e não. Não aconteceu nada com um ente querido, nenhuma notícia ruim e os dentes dele seguem todos no lugar. Felizmente.

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- "Ow mãe!"

- "Hummm?"

- "Tu pode marcar uma consulta num psicológico pra mim?"

- " Psicólogo, Nicola. Psicólogo."

- "Isso. Psicólogo. Pode?"

- "Pra quê tu quer ir num psicólogo?"

- "Mãe! Eu não consigo parar de pensar na idéia de ter um irmãozinho ou irmãzinha. Tenho sonhado com eles quase todos os dias ... preciso conversar a respeito disso com o psicológ ... psicólogo."

 Foi então que conversamos, pela milésima vez, a respeito ...

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Morrendo de orgulho.

No início de junho passado, Pequeno fez o seu primeiro teste de proficiência de Inglês. 

Há dois anos o inscrevemos num cursinho do idioma. Pensávamos que, além de aprender o idioma na escola, para que ele tivesse uma base de aprendizado realmente forte possibilitando, quem sabe num futuro,  o aprendizado e domínio do Inglês, seria necessário estudá-lo mais profundamente fora da escola.

Nunca se sabe o dia de amanhã. Hoje estamos aqui mas, quem sabe aonde estaremos no futuro? Saber o idioma é, mais do que nada, uma necessidade.

Então, há mais ou menos 2 anos ele vem fazendo curso de Inglês. Diga-se de passagem: ele adora! Um fator super importante: a criança aprender com prazer. Pra ele não é um peso acordar cedo e ir para o cursinho. Não é uma tortura fazer os deveres e não morre de medo na hora dos testes. Ele se sente bem, confortável e feliz.

Nesse ano, a turminha dele do curso foi indicada para fazer o primeiro exame de Cambridge. É um teste de proficiência de Inglês (existem vários níveis, de acordo com a idade). Num primeiro momento achei que "poderia deixar pra lá ... ou, quem sabe, para mais adiante" (até porque requer um investimentozinho - não é baratinha a inscrição). Mas marido me convenceu. Ele acreditava que era sim necessário. E se num futuro vamos embora, para algum lugar, e seja necessário ter um certificado que realmente confirme que a criatura tem um certo nível no idioma? Alguns lugares e algumas escolas do exterior o pedem. Basicamente ele me fez ver a oportunidade como um investimento e não como um gasto.

Ok. Pequeno inscrito e super motivado ("se achando", basicamente). No dia do teste acho que fiquei mais nervosa do que ele. Foram 3 testes durante a manhã (escrito, interpretação e conversação). Apesar de ser realizado nas dependências da escola aonde ele faz o curso (nesse ano tivemos sorte, porque nem sempre é assim), o teste era dado por pessoas de fora, credenciadas de Cambridge. Ou seja, apesar de estar no seu habitat, não era molezinha com a teacher de sempre, não.

Enquanto já estava quase tendo taquicardia esperando por ele, o menino sai da sala, bem tranquilo, sorridente e se limitou a dizer que "foi fácil". Ok. Assunto encerrado, até porque sabíamos que demoraria para sair o resultado, pois vai tudo lá para Cambridge para ser corrigido, etc. 

Eis que nesta semana, depois de mais de uma hora sentada no sofá do curso esperando enquanto finalizava a aula do Pequeno, percebi que haviam colocado a classificação num cartaz bem gigante (não sei como passou despercebido para mim), dando os parabéns para todos os alunos aprovados no exame.

Não precisou procurar muito: o nomezinho dele estava lá, encabeçando a lista do nível dele. Fiquei super feliz e orgulhosa! Fui correndo contar a novidade logo que acabou a aula, mas ele já sabia. A teacher já havia comentado e eles até já haviam tirado foto para colocar no mural.



Então, hoje, recebemos o certificado com a avaliação das provas. E o garoto mandou bem pra caramba! Modéstia à parte (e bem à parte mesmo), tirou nota máxima em todos os quesitos.




Tá sentindo o coração de uma mãe orgulhosa batendo forte?

Quando saiu da aula, mostrei o diploma pra ele. Foi então que vi o semblante mais lindo desse mundo. Ele não coube em si de tanta felicidade. Explodia sorrisos bobos, a boca não conseguia fechar, dando o sorrisão mais largo desse mundo e, no olhar, transmitia felicidade absoluta.

Foi assim em êxtase que ele fez todo o trajeto da escola até a nossa casa. No meio do caminho quis ligar para o vô para contar a feliz notícia. O vô, pra variar um pouquinho, ficou morrendo de orgulho, dizendo coisas lindas pra ele, que o deixou feliz e encabulado. A vó também foi só elogios. Logo, ligamos para  nonna, que ficou igualmente emocionada e orgulhosa.

Mas, de toda essa história, o que encheu de verdade o meu coração de felicidade, foi o orgulho que ele sentiu de si. A certeza que ele tinha de que seria capaz e foi. A confiança de que tudo havia saído bem e assim se concretizou.

Disse para ele que estava super orgulhosa dele. Que o mérito era todo seu. Mas que ficasse pra ele uma lição muito significativa e que a levasse para toda a sua vida: muito mais do que ficar feliz em dar orgulho para alguém, muito mais importante que tudo isso, era sentir orgulho de si mesmo. Esse sentimento de dever cumprido e de conquista era um sentimento único que, com certeza, iria ficar registrado na cabecinha dele por muitos e muitos anos.

Logo que o sorriso deu uma trégua, então, ele começou a fazer planos para a prova do ano que vem e da possibilidade de ir estudar em Cambridge num futuro. Nem adiantou dizer pra ele que foi o primeiro degrau de uma escada longa, bem longa:

- "Mãe! Alguma coisa me diz que meu destino tá lá na Inglaterra ... e se eu conseguir trabalhar junto do Stephen Hawking?"

Go, Pequeno. Go ... 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Duas mãos cheias.

10 anos, meu menino!

Achei engraçado no outro dia que você se deu por conta de que hoje estaria entrando na casa das dezenas. É. O tempo voa pra todo mundo, inclusive para você.

10 anos, meu menino! 10 anos intensos e muito felizes.

Parece que foi ontem que te vi pela primeira vez. Parece que foi ontem que levei o primeiro susto com o primeiro tombo. A primeira febre pelos primeiros dentes. Parece que foi ontem que te vi dar os primeiros passos. Que fiz um bolo horroroso pra comemorar teu primeiro aniversário lá em Madri junto de nossos amigos, numa festa sem nenhuma criança, cheia de adultos, mas repleta de carinho e mimos.



Parece que foi ontem que me emocionei com tuas primeiras palavras. Parece que foi ontem que fiquei chateada porque falou primeiro papai antes de mamãe. Parece que foi ontem que te levei pela primeira vez na escolinha e fiquei com o coração apertado por te deixar lá com um monte de gente estranha, mas ao mesmo tempo orgulhosa por te ver independente. Parece que foi ontem que comemoramos pela primeira vez teu aniversário na Itália com a família, junto com tio Antonio e tia Dora que foram nos visitar. Teu segundo aniversário.



Parece que foi ontem que deixei de te dar o peito. Que saudade que eu sinto daquele momento que era só nosso! Parece que foi ontem que, sem nenhum trauma, deixou de usar fralda. Tantas e tantas gargalhadas que eu dei te esperando no banheiro. Parece que foi ontem que te levei pela primeira vez na natação e fiquei toda orgulhosa do meu peixinho que batia braços e pernas do jeito mais fofo deste mundo. Parece que foi ontem que conseguimos pela primeira vez comemorar teu aniversário aqui no Brasil junto da família. Numa festa linda e inesquecível comemoramos o teu terceiro aniversário.



Parece que foi ontem que te vi ralar o joelho pela primeira vez. Que fez o primeiro passeio na escola. Parece que foi ontem que fiquei furiosa contigo quando riscou toda a parede da sala, cinco minutos antes de recebermos visita. Parece que foi ontem que escutava histórias intermináveis do Pinocchio, que me contava repetidamente, mas com o mesmo entusiasmo da primeira vez. Parece que foi ontem que usei o teu quarto aniversário como desculpa para visitar Paris novamente. 



Parece que foi ontem que senti um aperto no peito por te tirar de perto da família, dos coleguinhas e amigos e te trazer aqui para o Brasil. Me lembro como se fosse ontem da tua felicidade em saber que viria morar no Rio e o desejo de querer encontrar pela rua o Blu e todos os animais do filme. Parece que foi ontem que você implorou para acharmos logo uma casa, pois queria ir para a escolinha, conhecer amiguinhos. Parece que foi ontem que morri de rir com teu sotaquezinho de gringo misturado com o recente carioca. Parece que foi ontem que comemoramos pela primeira vez um aniversário na escola com todos os amigos. O quinto.



Parece que foi ontem que caiu teu primeiro dente. Que você se "apaixonou" pela primeira vez. Que comemorou o primeiro carnaval. Parece que foi ontem que quase morri de felicidade quando você leu as primeiras frases completas. Parece que foi ontem que percebi em ti um coração generoso, bondoso e preocupado com o próximo. Parece que foi ontem que torrou minha paciência para ter um aniversário do Angry Birds. O sexto, que foi comemorado na escola, com uma presença ilustre e rapidinha do tio Beto e da tia Rejane.



Ai, meu menino! Parece que foi ontem que os outros dentes foram caindo e você ficou com a porteirinha mais feia "linda" desse mundo. Parece que foi ontem que começou na "escola dos grandes" (leia-se ensino fundamental). Parece que foi ontem que tua bicicleta ficou pequena, mas ainda assim deu tempo de ter tua primeira aventura ao aprender andar nela sem as rodas. Parece que foi ontem que aproveitei uma ida ao Sul para comprar toda a decoração do teu aniversário: do teu time do coração, Grêmio. Parece que foi ontem que vi teus olhinhos brilharem ao ver a festinha montada na escola, para celebrar junto dos colegas. O teu sétimo aniversário.



Parece que foi ontem que  você celebrou a chegada do novo ano de cueca (branca, isso sim!) em Copacabana. Que curtimos juntos Ouro Preto e Tiradentes e , lembro, você ficou encantado com as histórias de lá. Parece que foi ontem que aqueles dentões que haviam caído agora haviam crescido e te deixado parecido com um coelho. Parece que foi ontem que resolvemos fazer "apenas" uma pequena comemoração em casa, mas apesar de pequena, foi com direito a decoração: dinossauros, os animais que no momento faziam parte das tuas brincadeiras. Felizmente pudemos compartilhar esse dia com tua Dinda e com o Renan. 8 anos já! Definitivamente o tempo insistia em voar.



Parece que foi ontem que você teve a experiência de presenciar os jogos olímpicos, viveu de perto todo aquele clima esportivo e me fez por dois dias seguidos correr atrás da tal da tocha olímpica. Parece que foi ontem que, pela primeira vez, você assistiu a um jogo no campo do seu time italiano. Que frio que passamos! Vi teu olhinho brilhando na loja da Juventus, querendo comprar tudo o que não cabia no nosso bolso. Lembro como se fosse ontem da nossa ida para o Peru, uma das nossas viagens mais especiais, e do quão orgulhosa fiquei quando te vi batendo papo em espanhol, todo solto e à vontade. Novamente fizemos uma celebração na escola, para que pudesse comemorar teu nono aniversário junto dos amigos. E que sorte que teve, porque também ganhou uma festinha lá no Sul quando fomos visitar a família. Lembro da tua felicidade com o bolo e com os presentes.



Agora estamos no décimo. Duas mãos cheias. Você entrou na casa das dezenas. Agora tenho um quase pré-adolescente que me enche de perguntas e, vez que outra, me faz passar por alguma saia justa. Um filho amoroso e carinhoso, que me acorda com sorrisos e cafuné. Que diz que me ama enquanto aguardamos o semáforo abrir. Que já lê nosso blog e me corrige devido a mania que tenho de gaúcha que mora no Rio e insiste em misturar o tu e você. 

Parece que foi ontem que fiquei te admirando dormindo. Agradecendo ao Universo pelo filho que tenho, pedindo que o tempo passe bem devagar, pra te aproveitar o máximo que eu puder, antes de que o danado do tempo voe e te leve para o mundo.

Parece que foi ontem que nossos olhares se cruzaram pela primeira vez. Parece que foi ontem que provei pela primeira vez um amor diferente, forte, intenso e incondicional. Parece que foi ontem ... mas que bom que ele é hoje e que feliz que sou por saber que será pra sempre!

Feliz 10 anos, meu menino! 



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Pequenices de um quase "dezenário".

- "Sabe aquele meninoEntão ... Ele perguntou se eu era rico."

- "Hum ..."

- "Daí eu falei que não. Então, ele perguntou se eu era pobre."

- "Hum ..."

- "Eu falei que não também."

- "Hum ..."

- "Daí eu falei pra ele que eu era mediano. Nós somos medianos, né mãe?"

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- "Eu decidi, mãe! Quero ser militar. Militar que vai pra guerra em missão de paz. E nas horas vagas eu posso ser goleiro também. Eu acho ... mas eu também podia ser médico. Mas não quero ser cirurgião. Posso ser um médico militar ... e nas horas vagas ser goleiro também. Né? "

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No dia do aniversário do avô, ele refletiu sobre a vida:

- "Nossa! Será que eu vou chegar aos 81 anos que nem o vôNa verdade, na verdade mesmo, eu queria chegar nos 100 anos. Vou viver muito, fazer muitas coisas. Daí, com 100 anos, que são muitos anos, posso até morrer ... posso morrer à vontade."

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- "Mãe! Tem um cabelo branquinho teu aparecendo aí."

- "Deixa meus cabelos brancos. Gosto deles. Não me importo de ficar velha."

- "Mãe! Tu não tá velha. Tu tá linda!"

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- "Caraca! Daqui a pouco vou fazer 10 anos, mãe! 10 anos. Gente! A partir de agora vou começar a ter dois números na minha idade ... nossa!"

Elementar, caro Pequeno.

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- "Mãe! A Jéssica (prima) me disse que tem menina criança que fica grávida. Isso é verdade?"

- "É. Infelizmente isso acontece." - aqueles cinco segundos rezando pra ele mudar de assunto e não perguntar mais nada ... até que:

- "Mas e os pais das crianças, são crianças também?"

- "As vezes sim, as vezes não. Depende, filho. Tem gente que, por vários motivos, acaba pulando etapas. Tipo, criança que com 12 anos pensa, age e atua como um adulto. Isso não é legal. Cada coisa tem seu tempo."

- "É."

Segui rezando pra ele dar a conversa por terminada. Mas ...

- "Mas como acontece pra uma menina criança ficar grávida?"

- "Do mesmo jeito que uma mulher adulta fica grávida. Um homem e uma mulher tem um relacionamento e pronto."

- "Nossa! Isso nem passa pela minha cabeça. Que coisa, né mãe?!"

- "É ..."

Jéssica! Da próxima vez tu explica pra ele todo o processo :|

domingo, 27 de agosto de 2017

Que pena que acabou.

A viagem de ida demorou muito, talvez por conta da nossa ansiedade por chegar logo. Era muita saudade, mais de um ano e meio sem pisar por lá. Parecia até mentira que estávamos chegando.




Definitivamente, quanto mais passam os anos, percebo que nasci para viajar em business class, pena que meu dinheiro não dá.

Viajamos durante o dia. O pior horário para fazer uma viagem longa (11 horas). Não dormimos nada. Cheguei cansada, exausta, com os pés inchados e uma dor tremenda nos joelhos. Mas, algum tempo depois, estávamos chegando em Capistrello.

Tudo praticamente seguia igual, só a nonna que resolveu aderir à moda dos cabelos brancos :) ... a deixamos loira e chegamos lá com a nonna grisalha.




Os sobrinhos também haviam crescido. Muito! A mesma impressão eles tiveram do Nicola.

Conseguimos aproveitar muito a família. Pequeno, sobretudo, curtiu os primos menores. Lá é verão, época de férias escolares. Ele praticamente foi para Roma obrigado por nós. Se fosse pela vontade dele, teria ficado com os primos. Reclamou que seriam "três dias a menos para curtir com Valeria e Alessandro".



As crianças brincaram muito, fizemos passeios legais com a família, curtimos muito a nonna e ficamos com nosso coração aliviado por vê-la bem, nos deliciamos com seus quitutes, até São Pedro colaborou e não choveu um diazinho sequer. Levamos alguns casacos na mala - lá, como é região de montanha, sempre faz friozinho à noite. Bom, "fazia", porque os casacos voltaram intactos. Calor de mais de 40 graus todos os dias.






Dessa vez, Pequeno pode aproveitar a melhor opção de lazer que a cidade oferece para as crianças: um parquinho com brinquedos, que eles chamam de Villa Comunale. Com o calor, todos foram para as ruas e as crianças se divertiram por lá todas as noites (porque de dia fazia muito calor) até tarde. Teve um dia que saímos da Villa por volta de uma da manhã. Pequeno achou o máximo. E eu fiquei feliz por ele, por poder ser criança como um dia eu fui e brincar até tarde na rua, sem perigo de violência, ladrão, etc. Voltávamos para casa felizes, apreciando o céu estrelado que só se vê por lá. Nos últimos dias até apareceu uma lua cheia para fazer daquelas noites ainda mais inesquecíveis.



Pequeno até fez amigos. Amigos de verão. Tudo bem que teve um dia que um menino invocou com ele (chegou aquele estrangeiro chamando atenção, sobretudo das meninas ... sabe como é ...), mas foi então que ele desfrutou de outra beleza da vida: ter um primo grande que foi defendê-lo. Rá!

Mas, tudo que é bom dura pouco ... logo já estávamos arrumando as malas para voltarmos pro Rio. Na verdade, os 3 tivemos vontade de ficar. Até porque a gente sabe que vai demorar, ao menos outro ano, para irmos lá novamente.



Pequeno, como sempre, chorou, se enfureceu, implorou para ficar. 

No pequeno carro que havíamos alugado, estávamos levando muitas malas (mais do que o previsto), um agradecimento por tudo o que tínhamos vivido naqueles 20 dias, um coração cheio de carinho, uma grande felicidade por vermos todos bem, mas já não cabia quase nele um monte de saudade que já insistia em chegar. 

Um pouco de silêncio para, cada um à sua maneira, dar um jeito de controlar o choro e, logo, a certeza de que, no final, vivemos de escolhas. As nossas quase nunca são fáceis. Apenas a certeza de que, estejamos aonde estejamos, a saudade sempre será a nossa companheira.