sábado, 11 de novembro de 2017

Cabelo, cabeleira, cabeludo, topetão.

Pequeno nasceu quase sem cabelos. Nasceu praticamente carequinha e, com poucos dias de vida, perdeu o pouco que lhe restava: da metade da cabeça para frente ficou careca. Na verdade, ficou a coisa mais horrorosa deste mundo! [peço desculpas aos corações sensíveis!]

O cabelo cresceu devagar. Só tinha um pequeno topetezinho que chamava atenção.

Quando passou a ter "cabelos de verdade" passou a ter um corte preferido.

Papai sempre cuidou com esmero dos cabelos do filho. E, sempre que ele demonstrava alguma vontade por um corte diferente ou mais curto, o Papai quase tinha um treco. Talvez, porque via nele a criaturinha que um dia ele foi. Pode não parecer, mas marido já foi cabeludo:



Não. Não é Pequeno nas fotos acima. É o pai dele.

Há algum tempo ele vem pedindo para cortar os cabelos "diferente". Por mim, já poderia ter cortado há tempos. Mas sempre na hora H, sentado na cadeira da cabeleireira, ele sempre desistia. Um dia é porque tinha a orelha grande (mentira!), no outro era porque iria deixar para a próxima vez, no outro era porque os colegas poderiam rir dele, no outro era o pai que não queria ... até que, marquei horário na cabeleireira dele e fiz que coincidisse justo quando o marido o fosse buscar na escola (malvada mesmo, queria que ele sofresse, HA, HA e HA!).

O vi decidido. Até olhamos modelos de cortes juntos. Mas juro que pensei que ele fosse desistir, como das outras vezes.

Mas, desta vez, a vontade de mudança prevaleceu. E eu fiquei feliz que  não teve desculpa capaz de fazê-lo desistir do seu sonho: ter o cabelo do Dybala, jogador de um dos seus times, Juventus.

Acredito que a cada tesourada que Patricia (a cabeleireira preferida aqui do Rio - porque também tem lá no sul a prima Iasmina que, aliás, foi a primeira cabeleireira dele) dava, Papai sentia dores quase insuportáveis no coração. Queria ter visto.


No final, chegou em casa um menino com cara de adolescente, com um sorriso tão largo que era do tamanho do mundo, feliz que não cabia em si.

No dia seguinte ficou ansioso por chegar logo na escola, pra mostrar o novo visual. Já na entrada encontrou um colega que, espantado com a mudança, ficou quase sem palavras, mas quando abriu a boca, foi para dizer:

- "Caraca! Que maneiro!"

O que lá no sul significaria: "Bah! Tri legal!"

Engraçado que tem gente que demora para reconhecê-lo.

O único que não achei tanta graça é que me dei por conta de que ele tá crescendo rápido, bem rápido, demais! E sabe o que é pior que isso? Que não vai ter corte que dê jeito nos meus cabelos brancos. Acho que não estou psicologicamente preparada para o futuro!






quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Coisas Estranhas.

Estava no computador e Pequeno em volta, fazendo gracinhas, puxando papo de qualquer jeito, me enrolando mesmo. Percebi, então, que ele queria me contar algo.

- "Que foi, Nicola? Que tu quer me contar?"

Ele deu um sorrisinho encabulado.

- "Então ... mãe ... é que eu ... pera! Deixa eu ver bem como falar ... eu ... não ... pera! Assim ... eu ... ai! Não consigo!!!"

Dotada de toda santa paciência que eu tenho (que mentira!), digo:

- "Olha só! Se é pra ficar de palhaçada, nem fala."

Ele foi pro quarto. Não deu 10 segundos, voltou:

- "Ai, tá bom! Eu falo!"

- "Sou toda ouvidos ..."

- "É que eu ... eu ... tô ... ai, meu Deus! Mãe! Eu tô apaixonado pela "On" ... a Eleven. Pronto. Falei!

- "Pfuuuu"

- "Mãe!"

- "Tá bom, Nicola! Daqui a pouco passa."

Eleven (Jane, Onze ou On) é um dos personagens da série "Stranger Things". O nome da atriz é Millie Bobby Brown. Mas não é dela que ele gosta. É da personagem mesmo.

Ele assistiu parte da segunda temporada da série conosco (eu e marido adoramos). Foi suficiente pra ele se apaixonar e fazer contagem regressiva para as férias só pra ver todos os episódios das duas temporadas. E deixou bem claro que, inclusive, vai rever os capítulos que já viu.

Fiquei pensando cá com meus botões o perfil de tiparraca que meu filho gosta. Olha, tenho até medo do que o futuro me reserva ... porque é cada uma ...

Só sei que a Tomika dançou ... 

Se você não sabe do que estou falando, basta clicar AQUI .

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Amor em estado puro.

Monólogo do Pequeno indo para a escola:

- "Sabe, mãe! Eu tenho pensado muito sobre uma coisa. E, assim, não sei nem explicar direito. Sobre o vô ... eu tenho ele muito dentro de mim. Assim, não sei como dizer ... eu sinto ele dentro de mim, do meu coração. Tipo, eu amo muito a vó. Amo muito a nonna. Mas o vô ... não sei, é uma coisa mais forte. Não sei de onde vem esse sentimento, tão forte, tão forte que eu nem sei explicar ... vem lá de dentro. Talvez seja porque ele foi uma das primeiras pessoas que me viu ... ou, quem sabe, porque ele me pegava com tanto cuidado e carinho pra eu dar meus primeiros arrotinhos. [PAUSA: neste momento fui obrigada a dar uma super gargalhada. FIM DA PAUSA] ... continuando ... ou, talvez, seja porque ele quem me ensinou a fazer meus primeiros chutes diretos, me dando dicas importantes de futebol. Não sei. Eu quero crescer e dar muito orgulho pra ele, porque ele merece. Ele é alguém bem especial e importante na minha vida. Ele é uma das pessoas mais fortes que eu conheço, pela resistência dele, pela força, tá sempre lutando. Ele já passou por tanta coisa ... E que bom que ele superou! Eu amo muito o vô ... será que é porque ele é meu único vô? Pode que seja por isso, né? Porque eu me sinto muito triste e sem sorte pelo nonno ter morrido 3 meses antes de eu nascer ... puxa! Uma injustiça! Deus podia ter esperado só mais um pouquinho. Sabe ... tem certas coisas que eu não entendo. Mas ainda bem que eu tenho o vô, né?!"

Então dei a desculpa de que tinha entrado um cisco no meu olho, engoli o choro e tentei explicar que nossa vida é uma caixinha de surpresas. E que as vezes acontecem coisas legais e, em outras, coisas não tão legais assim. Ou, pelo menos, não acontece exatamente como gostaríamos. Disse que é um menino sortudo, por contar com o vô e as vós que tanto o amam e que, desde lá do céu, o nonno fazia parte da vida dele também e que, assim como o vô, o nonno também o amava muito. Que ele não precisava se sentir com mais ou menos sorte por isso. Que questão de sorte ou azar era outra coisa ... nas questões da vida as coisas são diferentes. Disse que se fosse pensar desde o ponto de vista dele, seria a pessoa mais azarada do mundo, já que perdi meus avós muito cedo e não tinha quase nenhuma lembrança de histórias vividas com eles.

O deixei na escola e vim chorando pela rua, contando com a cumplicidade dos meus óculos, que sempre me deixam invisíveis e, por conseguinte, livre pra viver meu momento sem me preocupar com quem passa do meu lado.

E, com uma mistura de sentimentos meio doida, comecei a rir, lembrando da história  dos "arrotinhos" dele. Acho que Pequeno foi o único neto que meu pai participou intensamente dos primeiros dias de vida. Realmente, logo após dar o peito, meu pai o esperava para pegá-lo cuidadosamente e bater nas costinhas com cuidado e amor, esperando que a criatura soltasse seus gases para não ter cólicas.

De repente veio um sentimento estranho, um medinho de que toda essa declaração profunda e sincera do Pequeno fosse uma premonição de algo. Será que meu pai estava bem? Não quis ligar pra minha mãe. Ela iria estranhar, já que nos falamos ontem e notaria apreensão na minha ligação.

Ainda bem que existem os grupos de WhatsApp das famílias. Logo uma mensagem do meu irmão Mimosinho tranquilizou meu coração e me fez ver que nada de premonição ou intuição ... hoje de tarde foi apenas o amor transbordando mesmo, do coração do neto para o coração do vô.

E, mesmo que eu quisesse, não saberia explicar essa relação deles ... é amor e ponto.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

A Vizinha.

Temos uma vizinha, uma senhorinha já idosa que, vez que outra bate aqui na nossa porta pedindo coisas: às vezes pede remédio para cólica (nunca dei), azeite - que ela bebe para passar a cólica (?) (dei pra ela algumas colheradas). Também já bateu pedindo pão (já dei), sal (também dei), um pedaço de fio (não dei ... vai que a senhora faz alguma arte com minhas impressões digitais no fio?!) e quando ela pede algo e não dou (ou porque não tenho ou porque desconfio de suas intenções - ela é danadinha) ela pede, então, uma oração. E, de verdade, sempre mentalizo algo bom para ela. 

Ela mora com a cuidadora. Tem filhos que de vez em quando aparecem, mas bem de vez em quando mesmo. Uma vez ao mês, talvez, com um pouco de sorte.

Ela sempre apronta quando a cuidadora sai para comprar algo, fazer algum serviço na rua, ou até mesmo "uma fezinha".

-  "Vê se pode?! Ela sai pra jogar no bicho. É viciada!", me confidenciou dia desses

É batata: escuto a cuidadora saindo, conto alguns minutos e lá vem ela bater na minha porta. Ela bate na porta de outros vizinhos também, mas quase ninguém abre. A vizinha da frente até andou dando papo pra ela, mas agora não abre mais a porta. 

Sempre que a atendo, conversamos, logo ela vai pra casa, dá alguns segundos e ela volta a bater, sempre pra dizer a mesma coisa: 

- "Não conta pra ela que eu bati aqui", sempre me pede.

"Ela" é a cuidadora. Mas "ela" já sabe que ela bate aqui em casa, faço questão de falar. "Ela" - a cuidadora - já me pediu milhões de desculpas, contou que no outro condomínio aonde moravam as pessoas reclamavam que ela importunava. Mas bem da verdade, ela não me importuna. 

Confesso que já fingi algumas vezes que não estava em casa. Ela bateu insistentemente e, logo, voltou pra casa. Tentei, também, algumas vezes enrolar a senhorinha pedindo pro marido atender a porta. Mas não tive êxito. Sempre que ele abre a porta ela olha pra dentro de casa e pergunta:

-  "Cadê ela?"

"Ela", neste caso, sou eu. 

Teve um dia, também, em que ela bateu mas não queria nem azeite, nem sal, nem pão, nem fio. Queria somente companhia. Bateu aqui e pediu que eu fosse pra casa dela ficar com ela. A cuidadora havia saído e estava demorando muito (mentira, eu vi quando a mulher saiu). Respondi que não poderia ficar na casa dela, que tinha muita coisa para fazer, inclusive o almoço do meu filho. Mas, que se quisesse, para se sentir melhor, poderia deixar a porta aberta. Deixaria a minha aberta também e, caso precisasse de algo, era só me chamar. Ela, então, bem contrariada, me disse:

- "Poxa! Você nunca pode ficar comigo ...".

Carente. Dramática e carente. Logo a cuidadora apareceu e fiz fofoca dizendo que ela estava reclamando que fazia tempo que estava sozinha.

O fato é que, cada vez que ela bate aqui, Pequeno fica com sentimento de dó. Muitas vezes ela chora (um choro falso, tenho que dizer - não tenho nada contra minha vizinha, mas ela é uma grande atriz dramática). Só consegue convencer ao Pequeno. Pequeno tem debilidade por crianças e idosos. O coraçãozinho dele não resiste.

Dia desses, estávamos saindo para a escola e cruzamos com ela pelo corredor. Papo vai, papo vem ... ela fez declarações de amor ao Pequeno, ele agradeceu encabulado. Logo ela seguiu para casa e nós descemos as escadas para seguir rumo à escola.

Pequeno, então, disse:

- "Será que ela já tem uns 80 anos?"

- "Não sei ... nunca perguntei a idade dela ... mas acho que tem sim."

- "Com certeza, mãe! Acho que deve de ter até mais ... olha o vô, tem 81 e tá inteirão ... bemmmmm melhor do que ela."

Então ... dependendo do ponto de vista ... meu pai superou um câncer quase incurável, anda meio abatido, fazendo hemodiálise 3 vezes por semana, vez que outra tendo uns piripaques ... mas, Pequeno tem razão ... o vô tá bem mais 'inteiro', bemmmmm melhor do que "ela", nossa vizinha. Ou não? Tudo questão de ponto de vista ...

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Feliz Dia das Crianças!

Sabe, filho! Tenho te escutado dizer quase todos os dias: "Sou quase um pré-adolescente", ou "Não vejo a hora de ser grande!".

Quando eu tinha mais ou menos essa tua mesma idade, pensava essas mesmas coisas e tinha essa mesma vontade: crescer logo. Por isso, tudo o que vou te escrever agora, te escrevo por experiência. Conselho de quem  já passou por isso e, sobretudo, de quem te quer muito bem.

Não tenha pressa de crescer, meu filho. Nenhuma.

Cada etapa tem o seu tempo e o seu momento. E essa etapa que estás vivendo agora é tão boa, tão linda que, pode ter certeza, embora hoje não pareça, você vai sentir muita saudade dela.

Conserva para sempre este teu coração bom e verdadeiro. A tua ingenuidade e a tua bondade.

Mantém para sempre dentro de ti esse menino feliz e sincero. Essa pessoa carinhosa, amorosa e emotiva.

Seja para sempre esse menino sorridente e espontâneo.

Espero que te lembre para sempre desse menino que és hoje: que salta, que corre, que brinca, que dança, que sorri, que tem uma criatividade enorme e uma facilidade para ser feliz.

Siga fazendo tudo isto mesmo quando você estiver grande, mesmo quando teus problemas e tuas responsabilidades insistirem em amadurecer e endurecer este teu coração.

Não tenha vergonha, meu filho! Pula! Corre! Salta! Sorri! Te divirta e te fantasie.

Não esqueça, meu filho, desse Pequeno que existe dentro de ti. E, sobretudo, não tenha pressa! A vida é boa e linda, em todas as fases ... só depende da gente, de continuar escutando, mais que nada, o nosso coração.

Feliz Dia das Crianças! Te amamos! Muito! E para sempre!

Mãe e pai :)