quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Pequenas Conquistas.

Estávamos tirando a roupa do varal. Pequeno e eu.

Como de costume, Pequeno tagarelava pelos cotovelos. Se dividia entre contar mil e uma histórias de temas diversos e misturados, com a concentração em dobrar uma camiseta, uma calça, uma cueca. Separou com cuidado o que era para passar e empilhava o restante.

De repente, falávamos sobre "não me lembro o quê", quando fiz uma pergunta que ficou sem resposta. Insisti e, então, ele me responde:

- "Peraí que tô num momento importante da minha vida."

Saí do meio do varal (daqueles de teto) e vejo meu menino se esforçando, com a língua num cantinho da boca, super atento. Então, pergunto:

- "Momento importante da tua vida?"

- "Sim! Aprendi como se dobra direitinho um par de meias: estica, dobra no meio, abre a ponta da de fora, enfia pra dentro toda a meia ... e pronto! Perfeito!"

Caí na risada. 

aí algo que jamais havia me preocupado em ensiná-lo:  como dobrar "perfeitamente" suas meias.

No mesmo instante, veio um turbilhão de imagens dos progressos da vidinha do Pequeno: a primeira refeição sozinho, os primeiros passos, o primeiro tombo sério, o primeiro rabisco, o primeiro desenho, o primeiro colorido, a primeira letra. O primeiro passeio sozinho, a primeira desilusão, o primeiro ataque de fúria. A primeira vez que sentiu uma despedida, o primeiro exame de sangue, a primeira ida numa urgência hospitalar. O primeiro banho sozinho, a primeira vez que escolheu a própria roupa, o primeiro cocô na privada (pais jamais esquecem esse momento!). A primeira escola, a primeira vez que dormiu fora de casa, a primeira vez que lavou a louça.

Fiquei pensando nas tantas primeiras experiências que ainda estão por vir. Nas boas, simples e nas ruins também, elas fazem parte.

Quanto é importante a gente se sentir capaz, progredir sozinho, a custa somente do nosso esforço. E, também, o quão importante são os exemplos. Ele conseguiu dobrar a meia porque me viu dobrando.

Quantas e quantas vezes sou observada e nem me dou conta? Quantas são as vezes em que sou analisada e tomada como exemplo? E se eu estiver atuando mal? E se existir outra maneira mais fácil e/ou prática de dobrar uma meia?

Ele fez questão de guardar cada pilha de roupa em seu respectivo lugar: as roupas da mãe, do pai, as dele e as coisas de casa. Insistiu pra fazer tudo sozinho. Estava seguro de si.  Afinal, se ele era capaz de dobrar meticulosamente um par de meias, também poderia colocar cada coisa no seu lugar.

Próximo passo deverá ser dobrar alinhadamente um lençol, daqueles de elástico.

Se for seguir meu exemplo: ralado! É algo que ainda tenho pendente:  dobrar direitinho lençóis com elástico :/

4 comentários:

  1. Então...
    É a importância do exemplo: certamente, a mãe não usava lençóis com elástico ;)
    "Palavras induzem ... exemplos arrastam!"
    Bjs. Fiquem com Deus.
    Tio Beto 56/7

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    Respostas
    1. Kkkk pois não lembro da Duti dobrando lençóis de elástico 😕
      Qto mais passa o tempo, mais percebo a importância dos nossos exemplos na vida desses seres pequeninos. Eles captam tudo, nos mínimos detalhes.
      Bjos para vcs todos! Saudades!

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    2. Hauahaauahauahau... minha mãe já me ensinou umas 50 vezes como dobrar lençóis com elástico, Mas acho que meu cérebro foi programado para não absorver essa informação! Rsrsrsrsrs...
      Ainda tem tantos momentos importantes na vida desse lindo! Fico feliz que ele saiba reconhecê-Los! 😍😍😍

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    3. Acho que o meu tb é incompatível com essa informação. Não tem jeito de absorvê-la :)
      Tenho esperança no futuro e já que ele acha que um momento importante da vida é dobrar meias, quem sabe, um dia ele aprende a dobrar os lençóis com elástico e me ensin.... melhor, dobra pra mim :)
      Bjokas!

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