Mãe de Adolescente.

É engraçado e interessante (não sei ainda muito bem definir qual a melhor ordem) vivenciar a fase da adolescência desde o outro lado da história.

Não tem sido fácil. É uma mistura de incongruências, divergências, espantos. De repente aparece uma pitada de felicidade, de orgulho e de amor. Cinco segundos depois, explode uma guerra que não se sabe muito bem nem quando e nem porquê. É uma bipolaridade que eu quase não sei explicar. Não existe aquela história de "é oito ou é oitenta". Nada! Pode ser oito, oitenta, zero e vinte e cinco, tudo junto e misturado.

Fico observando Pequeno e pensando: "Caramba! Era assim que meus pais me viam?" ou "Putz! Que ingênua que eu era!". Ou então: "Eita! Eles sabiam de tudo, só fizeram de conta de que não ...". Passam-se 30 minutos e vejo naquela carinha emburrada e naquele olhar fuzilante a minha versão adolescente. 

Sou espectadora de seus chiliques impulsivos, seus argumentos cheios de razão (para ele), suas críticas alheias. Ouço com uma pitada de orgulho seus planos para mudar o mundo, suas soluções ingênuas para conflitos históricos e suas dúvidas existenciais.

Vejo, um pouco aflita, meu Pequeno que vai descobrindo o mundo, que vai se transformando fisicamente na velocidade da luz.

- "Como assim esse teu nariz cresceu de ontem pra hoje?"

Tenho tentado - como nunca - ser uma mãe mais paciente. Mas eu juro que não é que não tem sido fácil, o que tem sido é que é bem difícil. Precisa de muita paciência (pedindo isso logo pra mim, Papai do Céu?!). Sobretudo se  queremos ser pais participativos, argumentativos, esclarecedores e amigos. E quando digo amigos, não no sentido de que seremos melhores amigos. Esse nunca foi o meu objetivo. Pais são pais, amigos são amigos. Cada um com seu papel e sua importância. Mas quando digo "pais amigos" é no sentido de ele ter a confiança de nos contar algum segredo (eu não quero saber todos), a tranquilidade de desabafar algum problema e o conforto de saber que pode contar conosco. E, sobretudo, zero mentiras. Pois se tem uma coisa que eu odeio nessa vida é mentira. E olha que 'odiar' é uma palavra que reluto em usar.

Seria tudo perfeito se não tivéssemos a obrigação, também, de educá-lo. E eu encaro exatamente assim,  como um dever. Sempre digo aquela frase: "Não quero deixar um mundo melhor para meu filho mas um filho melhor para o mundo". Esse é o meu papel, o papel que eu escolhi e assumi.

São tantas as vezes em que penso: "Desisto! Vai pro teu quarto, se tranca por lá e só sai daqui uns 20 anos ...".

Mas é justamente isso o que eu não quero. Eu quero que daqui uns 5 anos ele deseje conhecer o mundo e que vá ... go Forrest, go!. Quero que ele saiba que ele pode ser e fazer o que ele quiser. Eu quero que ele saiba controlar seus momentos de conflitos (internos e externos). Quero que ele saiba distinguir o momento em que será preciso parar e fazer escolhas. E que tenha sabedoria e maturidade suficientes para arcar com as consequências dessas escolhas (sejam elas positivas ou negativas). Quero que ele entenda que da porta de casa pra fora, daqui a algum tempo, o menor dos seus problemas será lidar com a falta de paciência da professora de Inglês ou com o coleguinha que pediu a matéria e depois não foi capaz de enviar a página do dever de casa. Quero que ele aprenda a lidar da melhor maneira possível com as decepções. E que algum dia ele vai sentir saudade dessa mãe chata e que essa casa era tudo, menos um 'inferno'. (adolescentes: atualizem seus vocabulários)

Pequeno carrega consigo tanta coisa minha que me vejo muitas vezes nele. Papai do Céu me deu de presente minha versão masculina. Ao mesmo tempo vejo tanto do pai dele: a curiosidade, a capacidade de argumento e a facilidade em rir de qualquer besteira ainda bem que foram herdadas dos genes paternos. A boquinha quando dorme também é igual a do pai. E o raio do nariz que  crescendo também!  Sacanagem! Podia ter herdado a cor dos olhos, né?! (brincadeira, amore!)

Mas o mais interessante é que nessa mistura de nós dois, vejo um ser humano com qualidades, defeitos e caracteristicas próprias. Alguém que assim como me tira do sério tem a mesma capacidade para me encher de orgulho. Alguém que em muitos momentos (ultimamente) tem me feito pensar "quem mandou ter filho?" mas que logo depois me faz acender a plaquinha do "foi eu quem fez" cheia de corações voadores em volta.

Eu sei que ainda nos esperam longas batalhas. Ainda teremos muitos dias de guerras e conflitos. Muitos serão os dias em que ele não se sentirá compreendido e que precisarei controlar meu impulso para o grito, o castigo e a soberba característica dos pais autoritários.

Eu sei que preciso e ainda precisarei controlar o meu impulso de compará-lo comigo. Vivemos a adolescência em épocas, momentos, pais  e vidas diferentes (só o fato de dizer "no século passado quando eu era adolescente ..." já dá urticária!).

Pequeno ainda tem muito o que aprender com a vida. E eu? Ah! Cara mãe de adolescente ... isso está apenas começando. 

Oremos.



3 comentários:

  1. Pois eu desisti de ser mãe quando minha mãe lançou a praga: quando tu tiver um filho vai ser que nem tu!
    Deuzulivre. Minha versão adolescente não foi fácil! Hauahauahauahaua... e arrisco dizer que o teu adolescente é beeeeeeeem mais fácil do que a tua versão adolescente! Hauahauahauahaua... teu filhote e, com muito amor e orgulho, meu afilhado, é totalmente fora da curva! Ele tem um coração lindo, uma inteligência incrível e uma simpatia de dar inveja!
    Não deve ser fácil nem para ele e nem para ti lidar com essa enxurrada de hormônios. Mas, acho que como espectadora posso dizer que tu e o Nicolão estão fazendo um trabalho maravilhoso! Me racham a cara de orgulho!!!
    Que saudade de vocês!!!!
    Vem logo, vacina! Deixa a gente se ver!!!
    Beijos da dinda babona! 💖

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  2. Eu concordo com a Nina, a versão adolescente dele deve ser menos "assustadora" que a nossa, porém mais cheia de curiosidades!!! Hahahahahha
    Mas o Nicolinha é realmente um ser "fora da curva", e o geniozinho? Ah.. filho de Tatiana e afilhado de Carolina... Queria o q?! Hahahahahhahahahahahaha
    Mas tu e Nicolão estão sim de parabéns! Devo dizer que se teu objetivo é deixar um filho melhor para o mundo, já excedeu as expectativas!! E quando ele fizer birra e ficar bravo contigo, fala pra ele que tem uma prima aqui q ele pode incomodar e contar todos os outros segredos que tu não quer saber!!! Hahahahahahaha ❤️ beijão!!!

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  3. Lembro com saudades da minha fase de pai de "aborrecentes". E foram três, duas quase que simultaneamente. Tu viveste conosco um pouquinho dessa fase.
    Se eu pudesse mudar algo daquele tempo, tentaria o milagre de ter ainda mais paciência.
    E não concordo integralmente com a idéia de que eles ou elas não possam ser nossos melhores amigos. Concordo que essa nunca será a finalidade da educação, mas se Deus resolver abençoar ...
    Se identificas no Nicolinha traços da adolescência do pai e da mãe, já podes prever um adulto sensacional, com as características que duas das minhas melhores amigas listaram nos comentários acima.
    Aproveita esta fase "maravilhosa" rs. Ela não volta mais (ufa!).
    Bjs saudosos. Fiquem com Deus.

    Tio Beto_61

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